sexta-feira, setembro 01, 2006




Em León, Abril de 2005, com os alunos de Artes Plásticas-Pintura do Instituto Politécnico de Tomar.

Professores Nuno Vieira, Ricardo Nicolau e Graça Martins

Visita ao Museu de Arte Contemporânea MUSAC

Reflexões sobre a exposição "Emergências" que esteve patente de 1 de Abril a 21 de Agosto de 2005.

Até que ponto a Arte deverá ou poderá ser política? Social? Interventiva?
Que questionamentos se colocam quando as propostas artístas ultrapassam fronteiras de (suposta) neutralidade política?

4 comentários:

zemanel disse...

A arte é o reflexo da sociedade: das suas ambições, desejos e contradições.
Penso que a arte nunca é neutra, mesmo quando se afirma como tal. Mesmo que o artista pense que ser neutro, ele e a sua obra são reflexos da sociedade em que vive. E julgo que intervém sempre na sociedade e no seu tempo - nem que seja concientemente involuntario e por omissão.

graça martins disse...

Helena e zémanel, obrigado pela vossa participação. Não tenho tido muito tempo para actualizar e organizar este espaço. Peço desculpa por só agora responder.
Concordo com ambos. Efectivamente em toda a história documentada a arte foi sempre politizada quer pelo poder (por estar ao serviço deste) que pela reacção ao pré-estabelecido derrubando limites e criando novas possibilidades. Aliás é dialógico. No entanto diversos criticos de arte contemporânea assustam-se com esta "possibilidade" remetendo a arte (dita como tal e aceite como tal, por instituições e criticos determinados para o efeito - ficando de fora o que não é aceitável num universo hegemónico ocidentalizado, mesmo que de outras culturas) para um lugar de periferia elitista onde o conceptual apenas se justifica a si próprio. Logicamente esta pretensa isenção é igualmente política, mas dar significado sociológico e político assusta, assusta. Nada melhor que não dizer nada.

zemanel disse...

O Nada tem também valor sociológico. O Nada, o vazio e a ausencia são a marca da Sociedade. O acriticismo nas manifestações humanas como a literatura, a pintura, a dança são o resultado da sociedade que temos e simultaneamente construtores/continuadores desta mesma - na base do paradoxo " intervindo desintervindo".
Mas que papel na arte para a mudança social?
Arte de vanguarda social? Arte de Intervenção e Ruptura? Arte que aponta e indica um "caminho"? Arte que "acompanha" o caminho?
Tantas questões que asssaltam um leigo em arte!!!

graça martins disse...

Helena, vou publicar o "teu" texto. Neste momento encontro-me a preparar planos de aula da nova disciplina curricular do secundário e ainda se verificam muitas lacunas quanto ao que se tem produzido, criado, analisado, escrito sobre educação artística. Muito do programa e do manual escolar (de Desenho, por sinal graficamente muito pobre) ainda transparece uma noção de Arte que promove a exclusão de outros povos, outras culturas, outras possibilidades. Os exemplos ainda se remetem à "história" de arte contada, acrítica, reproduzida com os exemplos de "Boa Arte" que nos habituaram a aceitar como tal.
Obrigado pela tua presença aqui, assim, tão especial.
beijinhos
Graça