segunda-feira, julho 14, 2008

Finais de ano

Quando iniciei este blog tive o desejo de ter a participação dos meus alunos e das minhas alunas, partilhar informações, discutir ideias.
Este ano tive a oportunidade de, numa disciplina que nunca tinha dado, trabalhar com garotos e garotas do 8º ano e foi com eles que me deixei surpreender.
Tive a oportunidade de pedir autorização à Carla do 8ºA para me deixar publicar o relatório final do trabalho desenvolvido no último "semestre" e peço desculpas a outros alunos e alunas cujos relatórios ou memórias descritivas também mereceriam igual cuidado.
Proposémos-nos fazer um trabalho difícil, aliciante, provocante e desafiador, mas essencialmente com significado. "Era proibido":
  1. Gastar dinheiro em materiais (reutilizar, não reciclar, materiais vários);
  2. Fazer e trabalhar sem sentido;
  3. Apresentar um trabalho sem acreditar nele (ou seja, que o trabalho não acrescentaria nada ao já existente);
  4. Não ter autonomia.

No final seria necessário verificar:

  1. Como o meu desempenho contribuiu para o sucesso dos contributos dos meus colegas;
  2. Quais as maiores dificuldades;
  3. Quais os desafios;
  4. Como conseguimos resolver os problemas;
  5. De que modo o trabalho contribuirá para uma reflexão-acção sobre o tema abordado.

Só isto.

Partilho aqui o relatório da Carla, que vale a pena ler até ao fim (as imagens dos esquiços não serão apresentadas), pois merece ser apreciado, considerado e chegar a outros lugares de reflexão, por ser tão rico em descoberta. Por demonstrar que os garotos e as garotas de 13 e 14 anos afinal, se lhes derem oportunidade, sabem usar a informação com seriedade, responsabilidade e criatividade.

(os outros relatórios apresentados também estavam interessantes, embora nem todos tenham sido realizados em suporte informático).

Este foi o grupo de trabalho que mais me desafiou pela dificuldade de relacionar os temas prévios - o tema de abordagem era da responsabilidade deles e confesso, bem os tentei dissuadir por achar que seria demasiado complicado o cruzamento dos temas - felizmente os alunos foram determinados nos seus propósitos - e essa foi a minha maior satisfação!!!

Seja como for creio que é um relatório que, não sendo "oco", dá lições :-)

"Estou-lhe a mandar este mail porque esqueci-me de deculpar pela demora (sabe como é os computadores estão sempre a arranjar problemas) no mail anterior... E queria mais uma vez agradecer pela sua ajuda e cooperação no nosso trabalho ! Eu e de certeza a turma, está-lhe agradecida pela sua paciência!
Beijinhos e Boas Férias!
Carla"
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Totem





Escola Secundária Maria Lamas

Nome/Autor: Carla Adriana
Grupo: Ana Patrícia
Beatriz Duque
Fábio Silva
Disciplina: Educação Tecnológica
5/06/2008




Introdução


A professora sugeriu-nos no início do ano escolher um subtítulo dentro do tema: totens. Tivemos a liberdade de escolher e reflectir no que queríamos fazer mas o subtítulo deveria estar relacionado com o “Ano Internacional da Terra” – decorre entre 2007 e 2009 e tem apoio da UNESCO. Sendo estes os temas do ano: Desastres - reduzir a vulnerabilidade aos desastres; Terra e Saúde – melhorar o entendimento sobre os médicos das geociências; Recursos – descobrir novos recursos naturais e torná-los de forma sustentável, ou seja que permitam o desenvolvimento sustentável; Solo - compreender o que está por baixo da Terra; Cidades – construir com segurança; Mudança Climática – determinar as variações de mudança climática a longo prazo; Água Subterrânea – detectar água subterrânea profunda e de difícil acesso; Terra e Vida – responder a perguntas relacionadas com a evolução da vida; Oceanos – abismos do tempo e O Núcleo da Terra – como ele influencia o meio ambiente.

Após pensarmos, decidimos escolher o tema “Prevenção Rodoviária”. Na altura não entendemos muito bem como relacionar com o meio ambiente mas foi um trabalho em que estávamos interessados em fazer, por isso o nosso maior desafio ao longo do trabalho foi relacionar e perceber como a prevenção rodoviária está ligada ao ambiente.



Desenvolvimento:

Para o início do trabalho, encarreguei-me de procurar informação na Internet sobre acidentes que aconteceram no concelho de Torres Novas e sobre medidas para diminuir a sinistralidade. Recolhendo assim as seguintes informações:
Taxista foge após acidente: um taxista de Torres Novas pudera vir a ser acusado de omissão de auxílio por ter fugido à GNR depois de estar envolvido num acidente. Na segunda-feira, 30 de Outubro, o motorista circulava na Estrada Nacional 349, por volta das 20:00h quando numa curva embateu noutra viatura com três ocupantes, uma delas uma criança de seis anos. O taxista ainda saiu do carro para falar com os ocupantes da viatura em que embateu, um deles estando ferido, mas ao ver a patrulha da GNR fugiu.

Acidente Fatal com Tractor: Um homem de 37 anos, no dia 31 de Março, morreu num acidente com um tractor agrícola em Torres Novas. O acidente deu-se às 16h50 na Ribeira Ruiva. Além dos Bombeiros de Torres Novas, com 12 elementos e quatro viaturas, compareceram a VMER do Médio Tejo e a GNR.

Sinistralidade: A sinistralidade rodoviária é um grave problema nacional que coloca Portugal dramaticamente no topo das estatísticas internacionais. Números alarmantes que em cada ano significam dezenas e dezenas de vidas perdidas, muitas das quais de peões, ciclistas ou motociclistas. Mortes em acidentes, a que se soma um elevadíssimo número de pessoas feridas, jovens e crianças muitas delas, irreversivelmente lesionadas e obrigadas a carregar como deficientes uma pesada herança ao longo da sua vida. Um drama que toca, directa ou indirectamente, a maioria das famílias portuguesas. Se é certo que há uma cultura de agressividade instalada na nossa sociedade, em que o carro como símbolo de estatuto social se transformou em absurdo instrumento de poder, de agressão e de afirmação, e esse é, para nós, um factor que é preciso reter, para agir e contrariar;
Se é certo também, que existe uma cultura instalada de impunidade, de desrespeito e de desresponsabilização generalizada para com os outros, nomeadamente, quando ao volante e, essa é também uma atitude que é forçoso contrariar; Certo é também, que o problema da sinistralidade rodoviária não se esgota na constatação destes factores, radica noutras e múltiplas causas cuja origem importa identificar para tentar uma verdadeira mudança que é acima de tudo cultural, no sentido da prevenção e da promoção da segurança rodoviárias em Portugal. Uma mudança que terá de passar necessariamente pela mobilização da escola, e dos outros agentes de socialização, nomeadamente os agentes culturais e os média para ultrapassar a chocante ausência de uma pedagogia cívica que hoje afecta, indiferentemente, comportamentos de peões e condutores, de diferentes gerações. Uma mudança que terá de reflectir-se no próprio sistema de ensino da condução e passar pela participação activa daqueles que a fazem actualmente no nosso país, e aliás querem ser agentes activos dessa mudança; Mudança que inevitavelmente terá de reflectir-se também numa diferente forma na concepção, na construção e na avaliação de risco aquando da projecção do traçado de vias e de estradas nacionais; bem como na prioridade absoluta à sua conservação e segurança, hoje, manifestamente subalternizadas; Uma mudança que terá forçosamente ainda, de traduzir-se na revisão total de todo o sistema de informação e sinalização rodoviários das estradas do país, consensualmente tidos como pouco rigoroso, pouco seguro e caótica e perigosamente ineficaz. Uma mudança que terá também de ocorrer ao nível do rigor na inspecção doparque automóvel, cuja degradação tem reflexos na segurança e que carece de novas medidas de promoção, de facto, da sua renovação. Mudanças, ainda nas condições de segurança e circulação dos veículos pesados, quer de passageiros quer de mercadorias, cujos horários, velocidade e ritmos de trabalho colidem frontalmente com as mais elementares normas de prevenção da segurança; Mudança que passará pelo actual sistema de transporte escolar cuja frota e regras de circulação carecem ser actualizadas pondo fim à situação de risco à segurança das nossas crianças e jovens;
Mudança ainda que passe pela criação de locais próprios, pistas, para velocípedes cuja circulação é desafio permanente para quem a ousa; Mudança obviamente que terá de pôr fim ao clima de impunidade, só possível de contrariar com um sistema de vigilância tornado rotina e não pontualmente feito por campanhas, com dia e hora marcadas. Mudanças grandes a que naturalmente se alia a própria reflexão, que é tempo de fazer, sobre o papel que o automóvel deve ocupar no futuro como instrumento de apoio da organização da sociedade e não como o seu fim último como o centro da vida em torno do qual tudo se pensa, investe e gira. Uma mudança que implica forçosamente que nos interroguemos sobre a questão da mobilidade sustentável e da segurança no nosso país, e sobre o papelque aos transportes públicos, nomeadamente ao ferroviário deve caber numa óptica de defesa do ambiente, da saúde pública, da sustentabilidade, mas há que dizê-lo, da própria promoção e prevenção da segurança. Uma mudança que implica forçosamente repensar a importância e o espaço que aos direitos dos cidadãos importa dar, enquanto peões, enquanto partidários de modos alternativos de mobilidade, ou enquanto condutores, mas acima de tudo enquanto pessoas, cuja vida, cuja segurança, nos cabe promover e preservar.
É precisamente a defesa dessa vida dessa segurança, a sua promoção, que reclama a mobilização dos diferentes aliados neste combate que requer a adopção de medidas administrativas, penais, mas que na óptica cultural implícita reclama de modo privilegiado informação, debate, participação democrática de todos. A mobilização para aquilo que alguns chamam de guerra civil nas estradas que requer a convocação de vontades, o debate e o envolvimento de todos, pondo lado a lado as diversas entidades da Administração Pública, central e local com as muitas associações que a gravidade e a dimensão do problema da sinistralidade, a nível nacional fez emergir.

O grupo, isto é, eu, a Ana Patrícia e a Beatriz propomos ir à PSP arranjar mais informação. Infelizmente o nosso colega, Fábio Silva não pode ir. Apesar de não termos sido bem atendidas, um agente deu algum do seu tempo para responder às nossas questões. Mas não poderei pôr o nosso inquérito porque um membro do grupo guardou o caderno no cacifo de uma colega nossa e não o trouxe e assim não tenho as perguntas nem as respostas para divulgar no relatório.
Após esta recolha de informação, pretendemos perceber mais a causa dos acidentes e assim formular hipóteses e conselhos para parar a sinistralidade.

Nas seguintes aulas a professora “pressionou-nos” para reflectirmos sobre o assunto e conseguir construir um totem que consiga fazer uma ligação entre o ambiente e a prevenção rodoviária. Falando sinceramente, o grupo ainda não encontrou a resposta apesar de termos discutido nas aulas sobre isto. Eu apenas consegui arranjar razões lógicas: devido à provocação dos acidentes, vai haver a libertação de CO2 (dióxido de carbono) para a atmosfera, o que vai levar à sua poluição; devido aos acidentes, vai levar à necessidade de um novo carro ou seja à construção de novos materiais, que leva à utilização de matérias primas o que vai dar ao abuso de utilização dos recursos, isto é, não cumpre o desenvolvimento sustentável.

Fizemos algumas mudanças ao esboço que está na ficha de trabalho. Ao longo das aulas fomos fazendo vários esboços e fixámo-nos num:





Na primeira caixa iremos pôr várias fotografias que choquem o observador.




Na segunda caixa iremos colocar números de acidentes e mortes ocorridas em Torres Novas.



Na terceira caixa iremos colocar palavras-chaves, ou seja palavras que tenham a ver com os acidentes rodoviários. Ou seja através de palavras iremos tentar demonstrar o que é um acidente.



Infelizmente talvez o grupo não irá ter tempo para acabar o totem em si, porque demoramos demasiado tempo a reflectir ou porque nos esquecíamos de trazer o material. Mas mesmo na última aula iremos dar o nosso melhor para acabá-lo!




Conclusão:

Concluímos que um totem é muito mais do que um simples objecto. É uma crença, é uma ligação com Deus, é um símbolo.
A professora pôs-nos à prova e deu-nos o maior desafio que penso que já nos deram, reflectir. Sim, tivemos que reflectir bastante para encontrar as respostas: Porquê prevenção rodoviária? Bem, escolhemos este tema pois cada dia há mais acidentes, cada ano há mais mortes, a sinistralidade tem aumentado de ano para ano. E com este totem queremos demonstrar o sofrimento e a dor que é sofrer um acidente. Queremos chocar o observador para assim conseguirmos que reflicta sobre o assunto.

Como relacionar prevenção rodoviária com o ambiente? Devido ao aumento da libertação de CO2 e devido à necessidade de construção de novos materiais.
Como parar com a sinistralidade? Mudança ao nível do sistema de ensino da educação; construção e avaliação de risco aquando da projecção do traçado de vias e estradas nacionais e melhorar a sinalização rodoviária.

O grupo centrou-se no esboço apresentado no relatório pois achamos que é mais apelador e capta mais a atenção dos observadores que o esboço divulgado na ficha de trabalho. E queria relembrar que as caixas estão um pouco tortas, esqueci-me de dizer anteriormente!

Queria agradecer por a mãe da Beatriz, Carla Pinho, nos ter fornecido as caixas de cartão e o lençol branco e pelo seu avô Ilídio nos ter facultado a base da madeira. Ainda quero agradecer aos meus colegas de grupo e à minha mãe por nos ter trazido os rolos e o papel de alumínio e ao meu pai pelos jornais. Mas a quem devemos mais agradecimento é à nossa professora por nos ter orientado em todas as aulas e por nos ter dado várias ideias para o trabalho. Por fim queremos também pedir desculpa, por não conseguirmos acabar a tempo o trabalho, mas espero que pelo relatório goste do totem que iria ser feito!




Bibliografia:


Através do google obtemos as seguintes informações:

● Taxista foge após acidente :
http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=259&id=29598&idSeccao=3587&Action=noticia

● Acidente Fatal com tractor :
http://www.correiodamanha.pt/noticia.aspx?contentid=B388EB6B-8E87-42E9-B5C5-1FAC7FE49F03&channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021

● Sinistralidade:
http://blogs.prof2000.pt/miudosprojectos/index.php?p=68











quinta-feira, junho 19, 2008

THE CANADIAN ARTS AND LEARNING SYMPOSIUM 2008

Deadline for proposals (papers, workshops) extended to July 15, 2008


Deadline for proposals (papers, workshops) extended to July 15, 2008

THE CANADIAN ARTS AND LEARNING SYMPOSIUM 2008
NETWORK BUILDING WITHIN CANADIAN ARTS AND LEARNING COMMUNITIES
OCTOBER 29 – 31, 2008
SYMPOSIUM ANNOUNCEMENT

The 2006 World Conference on Arts Education, held in Lisbon, Portugal, sparked the National Arts and Learning Symposium at the University of Ottawa on May 3-4, 2007, that attracted more than 100 delegates from across the country. Following the recommendations from that Symposium, we are pleased to announce the forthcoming Canadian Arts and Learning Symposium, scheduled for October 29 – 31, 2008, at the Faculty of Education, Queen’s University, Kingston, Ontario. Our twin goals are the enhancement of arts and learning in Canada and helping to prepare the Canadian response to the next World Conference on Arts Education in Seoul, South Korea, in 2010. Our main theme this year is “Network Building within Canadian Arts and Learning Communities”. Included in this announcement are attachments inviting academic papers, poster sessions and workshops, for 2008. We invite you to consider attending this Canadian Symposium and urge you to pass on this invitation to all who might be interested. Details, as they are developed, will be placed on our web-site at www.eduarts.ca as of June 30, 2008. Please consider being involved in our collective quest in support of arts and learning throughout Canada.
Madeleine Aubreymadarte@sympatico.ca
Michael Wilsonmpwilson@uottawa.ca
Communications CommitteeCALS 2008

association culturelle sousencre

A contribuição do Marcelo Falcón:

"Objet Général

Cette association a pour but la promotion, défense, études, enseignements et recherches de Design et Art. Il y aura des activités de diffusion conceptuelle permettant la collaboration avec d'autres associations, instituts, universités nationales et internationales."

Contributo de Emidio Martins

(Artigo publicado no Jornal Almonda e Jornal de Sintra)


O Bem Comum Universal
à espera de um Sindicalismo forte e solidário

· A propósito do recente Congresso da CGTP

A experiência da Intersindical, criada em Outubro de 1970, levou à consagração nos Estatutos da CGTP, depois de 25 de Abril de 1974, dos princípios nucleares da sua organização e posicionamento na sociedade portuguesa: a unidade, a democracia, a independência, a solidariedade, o sindicalismo de massas. “A CGTP-IN é um movimento sindical unitário porque reconhece a liberdade de sindicalização de todos os trabalhadores”. “A CGTP-IN é uma organização independente, porque define os seus objectivos e determina a sua actividade com total autonomia face ao patronato, ao Estado, às confissões religiosas, aos partidos políticos (…) (Dos Estatutos).

Princípios nucleares: A unidade e a autonomia sindicais

Estes princípios têm determinado, até agora, a exigência e o constante desafio de uma fidelidade às origens e esse esforço tem sido a grande salvaguarda da credibilidade e do respeito devido pela sociedade portuguesa à Central Sindical. Não fora isso, e a CGTP não era o que ainda é (lembrem-se as tensões e controvérsias que ocorrem periodicamente, não só em vésperas de congressos, quando há opções sérias, não raro opções históricas para o presente e para o futuro).
Não obstante esta orientação estatutária, à volta do recente Congresso, mais uma vez, a influência partidária esteve presente, condicionando a construção de soluções de consenso, a objectividade e o realismo da reflexão. A filiação internacional e a constituição da lista para o Conselho Nacional, foram as questões mais sensíveis.
Como é sabido, a CGTP é uma organização dos trabalhadores portugueses que perceberam a necessidade de criar uma estrutura sindical superior – a Intersindical – para dar forma orgânica representativa e coordenar as aspirações e as lutas dos trabalhadores, num contexto histórico de ausência das liberdades fundamentais: O Projecto Unitário – CGTP. Portanto, “O movimento sindical é um contributo dos trabalhadores não apenas para defesa dos seus direitos e interesses, mas também para o desenvolvimento e libertação da sociedade de que fazemos parte” (Declaração de Princípios e Objectivos Programáticos da CGTP).

O que será a CGTP daqui a quatro anos?

Os próximos quatro anos irão dizer, a este respeito, se o Movimento Sindical Unitário, protagonizado pela CGTP continua a ser um pilar da Democracia em Portugal e uma plataforma de solidariedade internacional.

Para além da discussão dos temas propostos, do interior da organização saíram contributos diversificados: Um Grupo de 25 sindicalistas trabalharam e subscreveram o Documento “Agir com eficácia garantir o futuro” com uma reflexão, em paralelo com os documentos do congresso. Eles propõem-se “colaborar e ajudar a construir o sindicalismo para hoje e para o futuro, o sindicalismo dos trabalhadores para o século XXI (…) A CGTP deve reunir todas as suas forças para assegurar a eleição duma direcção capaz, forte, socialmente prestigiada, reconhecida e plural, que corresponda à alargada base social de apoio do movimento sindical”. Na perspectiva da solidariedade mundial dos trabalhadores, recomendaram a filiação da CGTP “na nova central sindical global – a CSI – onde se encontra a esmagadora maioria dos movimentos sindicais democráticos e representativos do mundo inteiro”. Este Grupo de sindicalistas anunciou em pleno Congresso ter decidido manter-se como Grupo de Reflexão e Intervenção sindical, tornando-se assim numa corrente autónoma dentro da Central.

Do mesmo modo, os sindicalistas socialistas afirmaram que “só um movimento sindical fortemente reivindicativo, amplamente democrático e profundamente autónomo possui uma base social ampla e, consequentemente, força sindical suficiente para, através de uma política de alianças sociais, contribuir decisivamente para se alterar a actual situação”. Esta “sensibilidade” sindical no seio da CGTP, também ela defendia a adesão à nova Confederação Sindical Internacional.

Quem, com isenção acompanhou o desenrolar deste Congresso tem de pôr esta questão:

Porque é que, em tempo de internacionalização, a CGTP não ousou congregar-se, acrescentando dinamismo à reorganização mundial dos trabalhadores, e dando sentido e dimensão à participação dos trabalhadores portugueses?

O Bem Comum Universal à espera de um Sindicalismo forte, unido e solidário à dimensão global

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) espera um Movimento sindical internacional forte para levar por diante, com resultados, as campanhas do “Trabalho Digno” e de uma “Globalização Justa”.
As mudanças dos últimos 20 anos: a estrutura produtiva e dos serviços, com a inovação tecnológica, teve reflexos profundos nas relações laborais e no emprego; a criação da OMC, introduzindo um modelo de desenvolvimento - a mundialização do mercado -, a economia global com consequências gravosas para muitos países e povos; a financeirização do capital com influência na governação dos Estados, tudo isto alterou a forma, os métodos, as pedagogias, e até os posicionamentos dos movimentos sociais.

O movimento sindical, à escala nacional e Internacional foi e é confrontado com grandes desafios – o combate por um desenvolvimento sustentável; o combate contra a pobreza; o combate pela dignificação dos homens e mulheres do trabalho, tendo muito em conta os imigrantes; o combate pelo emprego e pela qualidade do emprego, erguendo barreiras ao neo – liberalismo; o combate pela distribuição da riqueza criada (em Portugal, em 2005, 47% das famílias declararam rendimentos inferiores a dez mil euros anuais); o combate pela aplicação a todos, em todo o sítio, dos direitos humanos. São todos estes desafios que exigem, à mesma escala, propostas e capacidades de negociação com preocupações de eficácia, isto é, para obter resultados para a vida das pessoas – é o princípio do bem comum aplicado ao plano nacional e ao plano mundial.

Mas… para isso, é preciso ter sindicatos fortes. É preciso atribuir “Mais Força aos Sindicatos”. É preciso uma maior participação dos trabalhadores. E isto só é possível se os trabalhadores quiserem, acharem úteis e gostarem dos sindicatos. E isto só é possível com um movimento sindical autónomo, que decide por si, com a colaboração de todos, e que não pode decidir fora e impor dentro; isto só é possível com uma maior expressão de militantes sindicais de outras “sensibilidades” nas diferentes estruturas e aos diversos níveis da CGTP e com uma estratégia de alianças com todas as organizações e movimentos sociais que se empenham na luta pela Justiça, pela Fraternidade e pela PAZ.

Esta é, também, uma estratégica linha de acção, inspirada em tempo de celebração do 25 de Abril e do 1º de Maio.

Emídio Martins





segunda-feira, junho 02, 2008

quinta-feira, maio 29, 2008

Congresso TransIbérico de Educação Artística - aio de 2008 em BEJA









nos dias 22, 23 e 24 de Maio, Educadores, investigadores e alunos de Educação Artística de vários países latinos, de Portugal e Espanha reuniram-se na ESE de BEJA para compartilharem esxperiências de significado.
afinal há esperança no ar
também há redifinição de abordagens, visões múltiplas e multiplicadoras, reacções e encontros.
Estamos num universo multidimensional, a lingua oficial foi o portinhol ou o espanholês, mas todos nos fomos entendendo, estabelecendo coreografias de reflexão.
A Educação Artística abre uma nova agenda para o futuro, requestiona-se. Os modelos anteriores já não são estanques, nem oferecem seguranças ilusórias, as técnicas, antes formatadas, já não servem para educar hoje e agora. Hoje os professores já não são os detentores dos conhecimentos (por mais que essa plataforma continue activada em nossas consciências e atitudes escolares), mas participantes activos na investigação de novos saberes, aqueles que, no nosso quotidiano nos desafiam e nos apelam a novas compreensões. Movediços caminhos, mas fascinantes porque partilhados.
reconheci-me de novo neste lugar abraçando de fronteiras, transformando links.
acredito, cada vez mais, que a Educação Artística está trazendo novidades para o universo educativo, senão porque continua a ser sujeita a alheamento por parte do Ministério da Educação?
o receio traz o controlo e a necessidade de banalizar esta área...
mas creio, que mais cedo ou mais tarde, as expressões e a compreensão, exigirão uma evolução significativam para a educação em geral.
esse deve ser o nosso contributo.
Por muito caminho que ainda falte caminhar.
Foi assim no passado, é assim no presente, será melhor no futuro.
tanta gente nova...
tanta vivacidade!
tanto rigor e tanto trabalho estão colocando novos enfoques para a educação, alhearmo-nos disso, paralelamente ao que se passa nas escolas, é fingir que tudo vai bem.
Do Brasil tantos territórios e experiências pedagógicas-educadoras com o compromisso de fazer mundos melhores;
De Espanha o rigor e a activação dos sentidos multiplos e significantes fazendo parar a respiração;
De Portugal a capacidade criadora de gerir e fomentar um encontro tão grande e tão especial, o trabalho efectivo de criar derrubes fronteiriços, quer geográficos, quer contextuais, quer linguísticos.
voltarei a falar sobre o que se passou mais tarde...


terça-feira, maio 20, 2008

Spider’s web - by Katie MeLua


...gosto da música alta quando viajo no meu carro...


Katie Melua

Spider’s web


If a black man is racist, is it okay

When it’s the white man’s racism that made him that way
Because the bully’s the victim they say
By some sense they’re all the same

Because the line between

Wrong and right
Is the width of a thread
From a spider’s web
The piano keys are black and white
But they sound like a million colours in your mind

I could tell you to go to war
Or i could march for peace and fighting no more
How do i know which is right
And i hope he does when he sends you to fight

Because the line between wrong and right

Is the width of a thread from a spider’s web

The piano keys are black and white
But they sound like a million colours in your mind

Should we act on a blame
Or should we chase the moments away
Should we live
Should we give
Remember forever the guns and the feathers in time

Because the line between wrong and right
Is the width of a thread from a spider’s web

The piano keys are black and white
But they sound like a million colours in your mind
The piano keys are black and white
But they sound like a million colours in your mind

But they sound like a million colours in your mind

quinta-feira, maio 15, 2008

a vida tem destas coisas...

"(...) A evolução dos graus de consciência do modo como é descrita por Friedrich Nietzsche, em seu livro Assim Falou Zarathustra.
Ele fala dos três níveis: Camelo, Leão e Criança.
O camelo é sonolento, entediado, satisfeito consigo mesmo. Vive iludido julgando-se o cume de uma montanha, mas, na verdade, preocupa-se tanto com a opinião dos outros que quase não tem energia própria.

Emergindo do camelo, aparece o leão.
Quando nos damos conta de que temos estado abrindo mão da oportunidade de viver realmente a vida, passamos a dizer "não" às demandas dos outros. Nós nos apartamos da multidão, solitários e orgulhosos, rugindo a nossa verdade.

A coisa, porém, não acaba por aí.
Finalmente, emerge a criança, nem submissa nem rebelde, mas inocente e espontânea, fiel ao seu próprio ser.
Qualquer que seja a posição em que você se encontre neste momento -- sonolento e abatido, ou desafiador e rebelde -- tenha consciência de que isso evoluirá para alguma coisa nova, se você permitir."

chove, a cântaros, lá fora...e é Maio

às amigas (e aos amigos) que chovem
lá fora
com o mundo inteiro a derreter-se nas entranhas do coração


tivémos tempo para amar como quem a credita que é para sempre
isso foi bom

acreditámos que o nosso corpo era um extensão de nós próprias,
incubadoras de sonhos e geradoras de filhos
uma dádiva
oferecida generosamente a quem nos fazia sentir únicas no universo.

isso não existe.
até nós nos multiplicamos.
sabemos agora
saber doi mais que a mentira
mas a mentira doi a dobrar quando se sabe.
está tudo no saber.
e no sabor amargo da verdade escondida.

e depois temos de voltar ao ínicio
sempre
um sempre que é, esse sim, o "para sempre"
é que somos verdadeiramente apenas e só,
geradoras de nós próprias primeiro
e extensões do nosso corpo segundo.

e porque nos habituámos apenas a olhar este corpo segundo
é assim que nos veem
quando afinal só é necessário
confiar
(não nesses outros olhos sempre alheios, que não são os nossos, são alheios)
que somos geradoras de nós próprias.
únicas
no universo!

e é o mundo que se chora a si lá fora
porque sabe...

beijos de graça
graça

sexta-feira, maio 09, 2008

"Começando pelo princípio, que é por onde se devem começar as coisas, a culpa não foi minha.

António Lobo Antunes
"Terceiro Livro de Crónicas"
Dom Quixote
"quero uma paz imensa, agora."




quinta-feira, maio 08, 2008

Homem LIVRE este Homem LIVRE

Redondo Vocábulo
Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos

Polpas seus cabelos
Resíduos de lar,
Pelos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio,
Congregando farpas
Chamando o telefone

Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança,
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincando
e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa.

Zeca Afonso

frase

"A vida encolhe ou expande-se conforme a coragem de cada um"
Anaïs Nin

quarta-feira, maio 07, 2008

frase

Bruno Munari:

“Se não há solução para um problema,

então não é um problema”

:-)

sábado, maio 03, 2008

o fio do acaso

“O mundo cheio de amabilidades e promessas das vidas normais. Dentro dos carros as pessoas a quem aqueles anúncios se destinavam passavam a correr, entre a casa própria e o emprego óptimo, os planos de férias de verão e o cheiro dos estofos do carro novo e a prestações. As vidas normais nunca se sentem vidas de privilégio e são tuteladas pelo medo de morrer sem conseguir tudo o que se deseja. Tuteladas pelas cautelas e as humilhações e autorizações que garantem o funcionário cumpridor, o chefe de família, a esposa exemplar, o filho diligente. Que garantem as amantes sem amor, os militantes trémulos, os tiranos de escritório, os sonhadores sonâmbulos. Peixes em cardume no aquário da cidade, devorando-se uns aos outros, nadando em grupo, em banda, todos para o mesmo lado, com medo de perder o empréstimo, o patrão, o carro, a camisola, a saúde, a promoção do dia. Vidas normais. Vidas transmitidas em diferido, amarradas por cordas de solidão e mágoa, evitando o fio do acaso, a queda sem rede, o castigo de Deus, a ira dos homens.”

Clara Ferreira Alves
in “A Pluma caprichosa I” crónicas Publicações D. Quixote, 2001, Lisboa, Portugal.

quinta-feira, maio 01, 2008

...do 25 de ABRIL ao 1º de MAIO...diz este azul ao vermelho:


Matilde Marçal

Meu Portugal arrancou a Abril um cravo


a Maio uma papoila do campo.


tingiu a terra
e os corpos e os olhos e os vestidos e os lenços e os risos e as lágrimas
de vermelho vivo,
vermelho sangue,
vermelho quente!


Frenético!


Eléctrico!


Incandescente!


Chama!


...que fosse sempre...chama
não me tirem, os véus, a ilusão,
temos uma história
de ir para a guerra
com uma flor na mão
poemas trans-versos
e uma canção.
foi esta a lição!!!
eu não tenho dúvidas
que de batalhas travadas
se nos tire, do corpo, a vida
É vitória! E é nossa!
porque não nos ganham o coração!
por isso que se minta, se engane, se despreze, se ligue à falsidade,
pouco importa.
que me importa?
é sobre-vivência,
é política,
é traição...
é rosa velho
não é
vermelho!
(fala do azul de cor)






"Amargo estilo novo"



"Tudo é fácil quando se está brincando com a flor entre os dedos


quando se olham nos olhos as crianças,


quando se visita no leito o amor convalescente.




É bom ser flor, criança, ou ser doente.


Tudo são terras donde brotam esperanças,


pétalas, tranças,a porta do hospital aberta à nossa frente.

Desde que nasci que todos me enganam,


em casa, na rua, na escola, no emprego, na igreja, no quartel


com fogos de artifício e fatias de pão besuntadas com mel


E o mais grave é que não me enganam com erros nem com falsidades


mas com profundas, autênticas verdades.



E é tudo tão simples quando se rola a flor entre entre os dedos


Os estadistas não sabem,


mas nós, os das flores, para quem os caminhos do sonho não guardam segredos,


sabemos isso e todas as coisas mais que nos livros não cabem."
ANTÓNIO GEDEÃO

domingo, abril 20, 2008

Luis Represas

Para cá de onde dorme o sol
Eu fico todas as tardes
A ver se ele se vai embora
E me deixa confiado
Às memórias de outrora
Em que levantámos tendas
Soprámos canções de guerra
Semeámos nesta terra
Novos sonhos que ainda agora
Parecem sonhar de novo
Sagres, tu sabes, como se arma o coração
Agarrámos uma vida, desatámos a paixão
Sagres, tu sabes, na ponta da solidão
No palco de uma fogueira
Entre risos de medronhos
Fomos as noites dos loucos
Escondidos nas piteiras
E os beijos não foram poucos
A noite não tinha céu
O dia não tinha chão
O tempo não tinha cara
E o mar tomava-nos conta
Dos cinco dedos da mão

sábado, abril 19, 2008

montag




GMT








«Uma enorme comitiva de economistas entrou nos aposentos centrais. Traziam um relatório gigante. Era o diagnóstico; o estado da economia do país ali estava, ao pormenor. Três meses de trabalho envolvendo mais de 32 mil economistas. Bem remunerados, mas era merecido: o relatório tinha mais de seiscentas páginas. E um índice. Foi no índice que o Chefe pegou.
- Isto ajuda muito. Facilita a consulta – disse o Chefe, surpreendido.- Ajuda muito – concordou o Presidente da Comitiva dos Economistas. – O Chefe vê aqui o tema abordado e logo depois, uns espacinhos mais à frente, surge a página. - Excelente ideia!! – exclamou o Chefe.- Já tem sido utilizada noutros trabalhos de outras pessoas; mesmo fora da política. E até noutros países. Quando os relatórios são muito grandes a indicação das páginas onde cada tema é aprofundado permite que quem consulte o documento não perca muito tempo até encontrar o assunto que lhe interessa.O Chefe estava fascinado. Aquela questão do índice. Que ideia!! Estava bem rodeado, sem dúvida. Estes economistas!!»



Excerto de "O índice", d' O Senhor Kraus, desenhos Rachel Caiano , Editorial Caminho.

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