domingo, março 30, 2008

"O amor fino não busca causa nem fruto.
Se amo, porque me amam, tem o amor causa;
se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há de ter porquê nem para quê.
Se amo porque me amam é obrigação, faço o que devo: se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo.
Pois como há de amar o amor para ser fino?
Amo, quia amo; amo, ut amem: amo, porque amo, e amo para amar.
Quem ama porque o amam é agradecido,
quem ama, para que o amem, é interesseiro:
quem ama, não porque o amam,
nem para que o amem,
só esse é fino"

Padre António Vieira

sábado, março 22, 2008

"conta-me um conto que nunca contasses a ninguém"




Sísifo

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

MIGUEL TORGA
Antologia Poética
voz - Cristina Paiva
música - Ry Cooder
sonoplastia - Fernando Ladeira


Os diferentes

"Descobriu-se na Oceania, mais precisamente na ilha de Ossevaolep, um povo primitivo, que anda de cabeça para baixo e tem vida organizada. É aparentemente um povo feliz, de cabeça muito sólida e mãos reforçadas. Vendo tudo ao contrário, não perde tempo, entretanto, em refutar a visão normal do mundo. E o que eles dizem com os pés dá impressão de serem coisas aladas, cheias de sabedoria. Uma comissão de cientistas europeus e americanos estuda a linguagem desses homens e mulheres, não tendo chegado ainda a conclusões publicáveis. Alguns professores tentaram imitar esses nativos e foram recolhidos ao hospital da ilha. Os cabecentes-para-baixo, como foram denominados à falta de melhor classificação, têm vida longa e desconhecem a gripe e a depressão."

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE "A cor de cada um"

Ouvir era deixar o mundo entrar em si. (...)
"Os teclados" de Teolinda Gersão



terça-feira, março 11, 2008

Carlos Marzal quien escribe:

«...hay una tentación del pensamiento cuando persigue, ansioso,
la pureza,
cuando se instala, al raso,
entre las cumbres,
pájaro de sí mismo transparente,
una proclividad hacia la nada cuando se quiere hablar en absoluto,
cuando se busca estar tan en la médula
que la sombra del cuerpo es un estorbo...
y no hay ningún pensar clarividente que no termine siempre
en desaliento»."
Como outros, este texto e respectiva tomada de posição, chegou ao meu mail.
Por considerar que é um documento inteligente e que dignifica a profissão, profissão que, até à data tenho considerado das mais democratizantes, deixo aqui a minha colaboração na divulgação do conteúdo do texto...pois sempre acreditei que qualquer reforma ou alteração ao sistema, de ensino (ou outro), começa e continua com a mudança na capacidade criativa, dinâmica e prática dignificante de cada um dos professores que integram as escolas. Para isso é necessária a coragem demonstrada pelos professores e professoras aqui envolvidos numa reacção inteligente, consistente e sensata que em muito pode contribuir para uma reflexão cuidada das alterações que estão a ser colocadas às Escolas...
Afinal, as Escolas são os Professores, os Funcionários, os Alunos e os Pais, são as pessoas! E nenhuma alteração se pode fazer sem uma prática (individual e/ou colectiva) consciente e consistente destas pessoas.
Efectivamente a avaliação proposta é discriminatória, começando desde logo pelo concurso a professor Titular que inquinou toda e qualquer sugestão plausível para uma avaliação fiável:
  1. O Concurso que determina quem coordena e quem avalia eliminava à partida, professores e professoras com percursos paralelos (percursos esses associados à administração e gestão escolar, ensino superior, projectos educativos alternativos);
  2. O sistema de avaliação com atribuição de "Excelente", impossibilita dois professores ou professoras de obterem esta classificação (apenas um pode ter Excelente), embora se queira promover Escolas de Sucesso! (mas só com um professor excelente). Promovendo a competitividade e discriminação entre pares, inclusivé o avaliador;
  3. Professores e professoras com faltas não poderão ser professores Excelentes - exclui-se à partida a atribuição a professoras por motivos de parto ou assistência à familia (este parece-me o ponto mais indigno de toda a legislação!)

Professores Excelentes não ficam doentes, nem vão a funerais, nem acompanham a familia, nem participam em actividades de formação e qualificação profissional como congressos e seminários da sua área vocacional (o que diminuirá em larga escala a participação activa nas conferências que aqui tenho vindo a publicar e que contribuiram em muito para a minha formação pessoal, pedagógica, investigativa - este é outro ponto que me parece indigno da nova legislação, além de contraditório, pois na avaliação de desempenho proposta, a participação em actividades cívicas e comunitárias é um dado importante)

Só + uma nota que me parece importante:

Para se ser consistente com a reacção dos professores, como podem as Escolas e professores que se manifestam (e muito bem! Creio que é um contributo positivo para a reforma do sistema Educativo - nunca vi tantos professores a manifestarem-se, inclusivé os mais insuspeitos) e os que não se manifestam, contrubuir com os quadros de "Excelência" das Escolas, colocando os alunos numa bandeja da "Excelência"??? Quando perceberão que a palavra "excelência" é incopativel com qualidade e sucesso e respeito e dignidade para todos?!

Falta ainda referir que a profissão de professor não termina nem começa no horário estipulado: Nenhum professor coloca como horas extraordinárias os tempos não lectivos que dedica em reuniões cada vez mais extensas, na preparação de documentos, na correcção de materiais curriculares e escolares dos seus alunos, na actualização sistemática da sua profissão, na realização, leitura, reflexão, análise de toda a documentação burocrática que inundou a profissão, tornando-a quase doentia (ex: depois de terminar de corrigir os testes às 02:00 h a.m. uma professora inicia o seu trabalho no dia seguinte às 08:30 h a.m. depois de ter levado o filho de 8 meses à ama e a filha de 9 anos à Escola...tem aulas até às 16:00H seguidas de reunião de recrutamento até às 19:45h, etc. tem de dar jantar aos filhos e marido, ajudar a mais velha nos deveres da Escola, adormecer os pequenotes, tarefa difícil porque o mais pequeno não dorme, iniciar a preparação do dia seguinte de aulas, isto se o mais pequeno não ter contraído uma virose e ter de o levar às urgências do Hospital - coisa não incomum para quem tem filhos pequenos - a história é baseada numa história real que é bem mais problemática).

Deixo-vos então o texto:


"MUITO IMPORTANTE:

Os professores do Departamento de Línguas e Literaturas, da Escola Secundária D. Maria II, Braga, na sua reunião ordinária de hoje, 5 de Março, abordaram, inevitavelmente, o modelo de avaliação que nos querem impor. Após demorada, participada e viva discussão, os respectivos professores decidiram redigir e aprovar o documento que, de seguida, transcrevo na íntegra:

. Atendendo a que, sem fundamento válido, se fracturou a carreira docente em duas: professores titulares e não titulares;


. Atendendo a que essa fractura se operou com base num processo arbitrário, gerando injustiças inqualificáveis;


.Atendendo a que os parâmetros desse concurso se circunscreveram, aleatória e arbitrariamente, aos últimos sete anos, deitando insanemente para o caixote do lixo carreiras e dedicações de vidas inteiras entregues à profissão;

. Atendendo a que, por via de tão injusto concurso, não se pode admitir, sem ofensa para todos, que seguiram em frente só os melhores, e que ficaram para trás os que eram piores;
. Atendendo a que esse concurso terá repercussões na aplicação do assim chamado modelo de avaliação, já que, em princípio, quem por essa via acedeu a titular será passível de ser nomeado coordenador e, logo, avaliador;

. Atendendo a que, por essa via, pode muito bem acontecer que o avaliador seja menos qualificado que o avaliado;

. Atendendo a que o modelo de avaliação é tecnicamente medíocre;

. Atendendo a que o modelo de avaliação é leviano nos prazos que impõe;

. Atendendo a que o modelo de avaliação contém critérios subjectivos;

. Atendendo a que há divergências jurídicas sérias relativas à legitimidade deste modelo;
. Atendendo a que o Conselho Executivo e os Coordenadores de Departamento foram democraticamente eleitos com base nas funções então definidas para esses órgãos;

. Atendendo a que este processo, a continuar, terá que ser desenvolvido pelos anunciados futuros Conselhos de Escola, Director escolhido por esse Conselho, e pelos Coordenadores nomeados;

. Nós, professores do Departamento de Línguas, da Escola Secundária D. Maria II, não reconhecemos legitimidade democrática a nenhum dos órgãos da escola para darem continuidade a um processo que extravasa as funções para as quais foram eleitos;
. Mais consideram que:

. Por uma questão de dignidade e de solidariedade profissional, devem, esses órgãos, suspender, de imediato, toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação;

. Caso desejem e insistam na aplicação de tão arbitrário modelo, devem assumir a quebra do vínculo democrático e de confiança entre eles próprios e quem os elegeu, tirando daí as consequências moralmente exigidas.

Notas:
1 – Dos 22 professores presentes, 21 votaram favoravelmente e 1 votou contra:
2 – Para além de darem conhecimento imediato deste documento aos órgãos, ainda democráticos, da escola, os professores decidiram dá-lo a conhecer a todos os colegas da escola;
3 – Decidiram também dar ao documento a maior divulgação pública possível, e enviá-lo directamente para outras escolas e colegas de outras escolas;
4 – Pede-se a todos os professores que nos ajudem na divulgação deste documento, e que o tomem como incentivo e apoio para outras tomadas de posição;
5 – Este documento ficou, obviamente, registado em acta, para que a senhora ministra não continue a dizer que nas escolas está tudo calmo, e que só se protesta na rua;
6 – A introdução e as notas são da minha exclusiva responsabilidade;
7 – Tomo a liberdade de agradecer com prazer aos professores da Escola Secundária D. Maria II, Braga, e principalmente às mulheres, as mais aguerridas, pelas posições firmes que têm assumido, e por rejeitarem qualquer outro lugar que não seja a linha da frente da luta pela dignidade docente. É um orgulho estar entre vós.
António Mota
Escola Secundária D. Maria II, Braga

Março 6, 2008


Philippe-Ramette


UNESCO


sábado, março 08, 2008

...porque há estrelas...e uma é a minha!


No centro de Ciência Viva em Constância - Parque de Astronomia faz muito friiiio...mas a dinâmica da equipa que "toma conta" das estrelas e dos planetas para contar aos garotos e aos menos garotos que os anéis do planeta Saturno estariam visíveis se não fossem as nuvens que cobriram o céu, foi tornada entusiasmante. É que mesmo assim ,a história foi contada aos mais resistentes que não resistiram ao encantamento dos jovens sábios que dinamizam o espaço e a noite dos desenhos do céu.
----para ver o céu mesmo com nuvens podemos ir a http://www.stellarium.org/ e fazer download e viajar no espaço e no tempo----
Nicoletta Ceccoli



imagem de Claudia Degliuomini



"O regador
é só uma mentira de chuva
que eu tenho de contar às flores
todas as manhãs”

Rita Apoema

Dia 8 de Março,

Dia Internacional da Mulher

Porque HÁ uma história dentro de muitas histórias

...

1
gota para as flores de sempre e de agora,

mulheres à chuva e ao vento,

mulheres viradas ao Sol...e se recolhem na lua






quarta-feira, março 05, 2008

como nasce um paradigma

"COMO NASCE UM PARADIGMA

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro
puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.

Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão.

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada. Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.

A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram.
Depois de alguma surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.
Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato.
Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto.
Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. ´

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

"Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."

A "culpa", se a havia era, claro, dos cientistas...
Os macacos, entretanto, criaram uma lei...para viverem em paz e tranquilamente.
As bananas passaram a ser negociadas na "candonga" entre cientistas e macacos mais "espertos"
...e assim nasceu também uma necessidade, uma economia, politicas administrativas para o cumprimento da lei, sociedades secretas, escolas para treinarem macaquinhos a não desejarem bananas, outros para fiscalizarem quem falava em bananas, uma religião para dar consistência ao veredicto...e jaulas dentro da jaula.
Um dia veio um macaco e cheio de sapiência disse: A culpa foi dos cientistas!
Deram então cabo dos cientistas e abriu-se a porta da jaula...
só que já não havia quem trouxesse bananas e macacos enjaulados gostam que lhes tragam bananas e não gostam de portas abertas.
Entretanto as bananas apodreceram...

segunda-feira, março 03, 2008

diaporama
(eduardo prado coelho)

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

uma página que respira d e v a g a r...

poema ao luar
poema em código
poema anti-fascista
poema dactilografado
poema iluminado
poema declamado (sobre um poema de Miguel Torga, Diário XIII)
google poema


.......

Alexandra

"Pintura do tempo"



...esta garota foi minha aluna :-)






"Memória Descritiva
Num espaço abandonado procurei vida, procurei o habitante desse espaço; encontrei vegetação que se desenvolve livremente devido à ausência humana.Os primeiros dados são lançados ao colocar a tela no espaço arquitectónico, depois a acção do tempo é o agente que executa a pintura. A determinada altura, através do registo fotográfico “congela-se” um momento."

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Congresso de educação Artística - sentidos transibéricos


Sentidos Transibéricos
22,23 e 24 de Maio de 2008 - Beja


TEMAS DO CONGRESSO
O congresso reunirá especialistas da área da educação artística, decisores de política nacional, regional, local, dos ministérios da Educação e Cultura e entidades governamentais e não governamentais ligadas à educação artística. Incluindo educadores, arte terapeutas, investigadores, artistas, professores, psicólogos, agentes educativos em galerias, museus e serviços culturais, animadores sócio culturais e outras pessoas com interesses similares pela educação artística.





O congresso pretende ter dois grandes eixos de trabalho, o primeiro que se concretizará através de sessões de trabalho plenárias com um grupo de especialistas convidados para reflectir sobre os temas propostos e o segundo eixo que permitirá a mostra e divulgação de trabalhos seleccionados de investigação e prática pedagógica da educação artística em contextos formais e não formais.
Pretende-se que os resultados do congresso sejam publicados em forma de livro e CD Rom, em línguas Portuguesa e Espanhola, pretende-se também que no final do congresso se estabeleça uma lista de contactos para alargar a já existente Rede Ibérica de Educação Artística e se possível alargar essa rede para contextos ibero-americanos e Palops de modo a promover publicação de trabalhos científicos e trocas de experiências no âmbito da teoria e prática da educação artística. O congresso será portanto uma plataforma para a criação de uma rede de profissionais em arte educação/ educação artística nos países de línguas hispânicas e portuguesa.





As línguas oficiais do congresso são o Português e o Espanhol.



O congresso pretende incluir temas que favoreçam narrativas múltiplas e pluridisciplinares da educação artística tanto na Península como noutros países de línguas ibéricas. À partida pretendemos reflectir sobre aspectos teóricos e práticos ligados ao papel da Ed. Artística/ arte educação na construção da identidade dos jovens nas sociedades contemporâneas, a cultura do multimédia, a e-geração, a diversidade cultural, os problemas de inclusão/ exclusão social, preservação de patrimónios, educação para a paz e para a sustentabilidade.
Por educação artística entendemos todo o tipo de aprendizagem formal e não formal que utilize meios de conhecimento e expressão próprias das artes, das várias artes , como por exemplo educação ‘pela’ e educação ‘em’ teatro, dança, música, artes visuais , artes performativas, multimídias, literatura, etc.

FORMATO DO CONGRESSO:



Metodologia de organização do Congresso
Tendo como objectivo criar condições para uma mais aprofundada partilha dos estudos dos participantes neste congresso, resolveu-se abandonar o modelo tradicional de Mesas e Comunicações onde ocorria predominantemente um discurso unidireccional e um tempo restrito para a discussão. Pretende-se que este congresso adopte a tónica de uma trabalho colaborativo inter-pares, exigindo, pelos constrangimentos espaciais e temporais existentes, que os procedimentos de todos sejam norteados pelos princípios da transparência e reflexividade e por competências como a capacidade de síntese e de auto e hetero crítica.



Assim, propõe-se a seguinte metodologia, que exige o uso de critérios claros quanto ao conteúdo substantivo das participações permitindo a sua coerência e similitude:

PROCEDIMENTOS:
1. Envio de participações: Os participantes que pretendem partilhar os seus estudos ou experiências terão que enviar com antecedência para a organização do congresso 3 páginas que descrevam-mo sumariamente, assim como as questões/problemas que esperam que o grupo discuta. Haverá que realçar que nem todos os participantes terão que ter um projecto a partilhar. Isto não significa que se limitem a ter um papel só de ouvintes, sendo de valorizar o seu papel contributivo nos trabalhos.



As propostas serão submetidas à apreciação do comité científico do congresso que deliberará sobre a sua inclusão no programa.



2. A partir das propostas dos participantes, os coordenadores dos grupos de trabalho devem preparam as sessões ( Mesas redondas ou grupos de trabalho), agrupando os trabalhos a discutir pela similitude do objecto ou do tipo de questões/problemas que eles apresentem.



3. A organização do congresso coloca todos os textos enviados on-line de modo a que possam ser lidos atempadamente pelos participantes.



4. Congresso /Sessões de trabalho: espera-se que durante o congresso as sessões sejam de aprendizagem mútua, a partir da partilha de experiências e saberes de modo a que seja construído algo de novo. Em cada sessão haverá um moderador e um relator. No final das sessões o relator ajudado pelo grupo deverá escrever as conclusões do grupo . Essas conclusões serão apresentadas em sessão plenária no final do dia. As conclusões deverão constar das actas do congresso.



5. Publicação : Será publicado um CD Rom com as actas do congresso.

OUTRAS ACTIVIDADES E FORMAS DE PARTICIPAÇÃO:
O congresso será transmitido em tempo real para os participantes que não possam vir fisicamente ao congresso. Os participantes também poderão contribuir com o envio de material para exposição (Posters, Vídeo digital) ou performances.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

...tentações...

Antenna Johann Fournier


Carlos Marzal quien escribe:

«... hay una tentación del pensamiento cuando persigue, ansioso, la pureza,



cuando se instala, al raso, entre las cumbres,


pájaro de sí mismo transparente,


una proclividad hacia la nada


cuando se quiere hablar en absoluto,


cuando se busca estar tan en la médula

que la sombra del cuerpo es un estorbo...


y no hay ningún pensar clarividente

que no termine siempre


en desaliento».

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Congresso de Granada

aqui deixo impressões e reflexões da Teresa Torres Eça sobre o congresso de educação artística de Granada realizado dias 31 de Janeiro, 1 e 2 de Fevereiro...e de como essas reflexões já correm mundo (Brasil, Argentina...)

"Querida Teresa,
Te felicito y agradezco la síntesis del congreso de Granada.
Me parece percibir los suficientes elementos comunes para seguir trabajando conjuntamente dentro de redibericaedart. Al balance que haces al final de tu texto, yo le añadiría una reflexión sobre el papel de la educación artística en la actualidad; es decir, confrontaría los conceptos de identidad, transversalidad, transformación, etc. con las posibles funciones de la e.a. Ello nos llevaría a cuestionarnos ¿qué conflictos ser derivan de aquellos conceptos a nivel personal y social? y ¿para qué puede servir la e.a. hoy? Seguramente habeis hablado de ello aunque para mí lo más difícil es poder traducir a la acción artística y a la vida real las teorías y viceversa. En fin, gracias.
Lidón

Impressões sobre o congresso de Granada


Adorei ir a este congresso , vi que a teoria e a prática em Educação artística na Espanha se têm desenvolvido imenso nos últimos anos. Observei os frutos do trabalho de centros de investigação e universidades em Girona, Barcelona, Pamplona, Santiago, Granada, Sevilha , Jaen , Valencia.


Senti o grande descontentamento das universidades com as pressões de Bolonha . Um descrédito total , uma desconfiança cega pelas interferências mercantilistas na universidade, uma recusa do clima empresarial que se está a instaurar . Enfim as reacções normais do meio académico por que nós em Portugal também passámos .

Roser Juanola fez uma eloquente resenha da ed. artística em Espanha , juntando os pequenos e pontuais esforços de divulgação e publicação ela traçou um percurso sólido de que se podem orgulhar. Gostei do seu apelo às didácticas artísticas a partir da transversalidade , polivalência, interdisciplinariedade e co-disciplinaridade , gostei da maneira como ela anunciou o ‘de- venir’ com esperança lançando propostas construtivas.

Fernando Hernandez apelou à transformação, desafiou-nos para sermos mais do que professores para sermos educadores que se envolvem politicamente e ideologicamente pela pedagogia da transformação

Teresa Beguiristain falou-nos de questões de género , das mulheres artistas que a história da arte esconde, sem grandes rodeios, com humor e rigor.

A mesa redonda ‘ética ideologia e identidad cultural’ foi fecunda pela diversidade das abordagens ( Imanol Aguirre falando de práticas de resignificação nas artes; Samir Assaleh com uma história de vida cheia de compreensão do outro, Aura Diaz uma venezuelana que nos relembra que nem todos os países reconhecem o valor das suas culturas. Foi também fecunda pela participação do público: perante uma sociedade multicultural que fazer ? como agir ? Samir dizia com respeito, Pilar e outra pessoa falava de direitos humanos, Ana Mae citou Amílcar Cabral dizendo que a o valor vida prevalecia sobre qualquer valor cultural que desrespeitasse o ser humano.

Vi como Arte, educação e comunidade se dão as mãos em actividades sociais de transformação, Javier Abad Molina por exemplo , a universidade de Jaen e os seus projectos com escolas e comunidades , a universidade de Valencia e o seu trabalho com museus e com a escuela 2 . Vi como os professores podem ser corajosos e generosos em Málaga .

De um congresso para o outro fracassamos na sua ligação, no estudo do seu impacto sobre as audiências. Por vezes parece que partimos de cada vez da etapa zero, mas aqui em Granada senti que houve uma evolução entre congressos, que apesar de não se terem publicado conclusões para grandes audiências senti um amadurecimento entre o primeiro ( em Sevilha) e este segundo congresso, senti que se tinham ultrapassado barreiras e que agora as questões estavam mais ‘focadas’, que se sabia melhor como enfrentar os desafios da educação artística e como contribuir de um modo único para o seu desenvolvimento .

Tenho que dar as minhas felicitações ao Francisco Maeso e á sua equipe. Eles mereciam que eu fizesse um resumo melhor do congresso mas não tenho muito tempo agora.

Se tivesse que fazer um balanço do que mais me tocou ficava com esta listagem:

- É preciso apresentar alternativas caminhos a seguir como por exemplo as didácticas comparadas de que falou a Roser e com que trabalha o René Rickerman em Genebra.
- É preciso reformular , requestionar : O que ensinar? como ensinar?
- Que entendemos por artes? Que artes são legitimadas na Ed. artística? Quais as que ficam de fora?
- Temos que misturar o plano conceptual com o plano prático,
- Articular maneiras de trabalhar em grupo
- É preciso mostrar evidência que seja replicável , mas sem ser receituário
- É preciso formar educadores que saibam transgredir, imaginar, educar pelos valores e com as artes .
- É preciso re-pensar o nosso conceito de culturas, trabalhar as identidades que se vão transformando
-Ter mais impacto, mais visibilidade. Mas como chegar ao poder institucional? Criar comunidades educativas , avançar para outros formatos de conexão entre universidades, escolas e comunidades."

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Clã -sexto andar


e porque ontem foi dia 14




Vieste comigonesse jeito pós-moderno

de não querer saber nada

de não fazer perguntas

essa pose cansada

tão despida de emoção

de quem já viu tudo

e tudo é uma imensa

repetição


não fosse a minha competência para amar

e nunca teriamos acontecido

num mundo de competências

e técnicas de ponta

a dádiva da fala

quase já não conta


depois quase ias embora

desse modo

evanescente

não soubesse eu ver-te

tão transparente

e teria sido apenas

o encontro acidental

uma simples vertigem

dum desporto radical


não fosse a minha competência para amar

e nunca teriamos acontecido

num mundo de competências

e técnicas de ponta

a dádiva da fala

quase já não conta


sexta-feira, fevereiro 08, 2008

2008 Ano Internacional do Planeta Terra






"O Ano Internacional do Planeta Terra decorre entre 2007 e 2009 e tem o apoio institucional da Organização Mundial das Nações Unidas e da União Internacional das Ciências Geológicas."


"International Year of Planet Earth2007-2009
Earth sciences for societyThe International Year of Planet Earth aims to capture people’s imagination with the exciting knowledge we possess about our planet, and to see that knowledge used to make the Earth a safer, healthier and wealthier place for our children and grandchildren International Year of Planet Earth 2007-2009
What is the International Yearof Planet Earth?The International Year of Planet Earth aims to ensure greater and more effective use by society of the knowledge accumulated by the world’s 400,000 Earth scientists. The Year’s ultimate goal of helping to build safer, healthier and wealthier societies around the globe is expressed in the Year’s subtitle ‘Earth science for Society’.The International Year runs from January 2007 to December 2009, the central year of the triennium (2008) having been proclaimed by the UN General Assembly as the UN Year. The UN sees the Year as a contribution to their sustainable development targets as it promotes wise (sustainable) use of Earth materials and encourages better planning and management to reduce risks for the world’s inhabitants."




Os alunos do 8ºA aliaram-se a esta iniciativa utilizando materiais sem suposta utilidade, procurando nos desperdícios um significado maior, mais alargado, relativamente a uma economia de tempo, recursos materiais e humanos, banco de ideias criativas e ainda investigação histórica e cultural.
Descobrindo culturas e histórias e artefactos populares de significado tribal, realizaram "totens" fazendo uma releitura para os tempos do "agora".
A pedido da turma, foram criados 3 grupos que se envolveram na abordagem ao tempo do antes, do agora e do depois (passado, presente e futuro)
e se antes não sabiam o que eram "totens" (o quê, stora?),
agora descobriram que podemos (as civilizações)
falar múltiplas linguagens e escrever histórias marcando compassos alternativos, afirmando convicções e ideias, propondo reflexões.
Para mim, o sucesso, escreve-se na memória daqueles que participam e não esquecem...foi assim que os antepassados nos legaram tantos tesouros.


quinta-feira, fevereiro 07, 2008

llansol



"Cirano" de Rebecca Dautremer
















Se o toque não for decidido,
e o medo nos invadir,
não terei palavras para lho dizer.
Como dizer que uma lâmpada se funde inesperadamente
que um prato cai sem darmos por isso, quando isso é a própria queda,
que uma voz desaparece repentinamente de nos falar
que um afecto é, de facto, tudo (mas não de tudo quanto o prende)
que teria gostado de escrever romances
se o tempo não existisse
que se o toque fosse indiferente apenas existiriam atributos
ou, se preferes, enquanto acaricias esse espaldar só haveria vestidos,
e o corpo onde o deixariassem ter, sequer, a noção de afecto a quem o dar,
não olhes para mim com esse olhar.
Sem uma memória decidida,
as coisas desconhecidas flutuam.
Sim, imagino.
Disse-lhe, soletrando todas as letras,
o cheiro fasto que se desprende do espaldar é de um homem, odor denso, de um homem incómodo, embaraçoso, opaco.
"Quem gostarias de ver a teu lado?

maria gabriela llansol

"amagiadaspalavras"

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

não sei que nome dar a isto

Juan Genoves



Magal (1º Prémio de Fotografia)



Pode ser um disparate sim, é de facto um disparate!
O que se passa no ensino em Portugal chateia, claro que chateia!

É uma chazada e uma teia de charadas para analisar, fazer sacrifícios pessoais e profissionais sem qualquer pressuposto de reconhecimento. Aliás, quanto mais falares mais te corroem as intrigas. Afinal quem és tu para vires com coisas e loisas e assim e tal e coiso??? Hum???



Tenho procurado indícios de consciência crítica nos professores que assegurem uma correcta aplicação dos novos despachos, decretos, legislações aplicadas ao também novo Estatuto da Carreira Docente...




Partindo do princípio que o Estatuto tem estatuto, que a Carreira é digna e que a docência é decente pró discente e pró docente e que por fim, o princípio tem princípios…



Começam-me a saturar as críticas à Ministra Maria de Lurdes,é verdade! Não porque ela seja simpática, já provou que não é; não porque ela tenha respeito pelos professores, já provou que não tem; não porque ela encabece uma das reformas mais tortuosas de todos os tempos, já provou o que tinha a provar – o ensino público é para chicotear, pronto!!! Venha lá o ensino privado! É pró menino e prá menina! Ops! Não é essa a ideia??? Peço desculpas pelo juízo precipitado. Pois, o ensino é para todos! Mesmo? Mesmo??? Mas mesmo?????

Ok! Entendi...


O que me chateia mesmo(!) é ver/observar professores e professoras, antes colegas, agora uns e outros. Vejamos: A legislação referente à educação é o que é, sempre foi o que foi, mas não se aplica sem os professores e ademais intervenientes nesta história supostamente educativa.

Aprendamos então com ela…a história: O “MODO” como se aplica é que traz o desenvolvimento da narrativa, certo? Mas o “Modo” como se aplica depende dos e das professores e ademais intervenientes educativos.


É verdade que se estão a criar “condições” especiais de sujeição, repressão e medo, mas esse medo é essencialmente manifestado na “performance” educativa. Assim o que sucede é uma leitura ainda mais repressiva e mais opressiva que a legislada, duvidam??? A legislação é como uma partitura ou uma coreografia que propõe “harmonizar” o sistema de ensino já por si tão diversificado, o modo como se dança é que cria dissonâncias ou consonâncias, senão como teríamos criado um 25 de Abril? Reagindo dentro do sistema, criando novas leituras de registo, participando criticamente na plataforma a que chamamos (nas CEs)“palco”.



É verdade que a coreógrafa não é lá essas coisas, mas tê-lo-á sido David Justino e a outra (Maria do Carmo Seabra, lembram-se?) que lhe precedeu? Então? Temos duas alternativas:


1- Agir em conformidade com o senso comum e tratarmo-nos uns aos outros como néscios;

ou


2 – Procurar uma leitura dignificante onde o bom senso, a preocupação por um ensino que transmite formas de mudar mundos, uma partilha de interesses profissionais de qualidade que facilite o trabalho de todos, o respeito pelos colegas que fazem o possível e muitas vezes o impossível para criar condições de qualidade de ensino, seja efectivamente gratificante e promotora de...tan!tan!tan!tan! SUCESSO!


Ou ainda outras modalidades, ao nosso alcance, mas que teimamos não visualizar com medo dos índices, taxas, níveis de desempenho ou indicadores de "sucesso". Afinal, são palavras apenas que traduzem números, mas esses números só devem suscitar a qualidade do ensino mediante a contextualização das escolas, dos seus alunos e alunas, professores e professoras, Conselhos Executivos, serviços administrativos, pais, pessoal auxiliar e recursos arquitectónicos, materiais, etc.


Senão afinal o que é o sucesso???


Os números reflectem apenas o que se quer evidenciar, para serem fiáveis, enquanto avaliação, têm de ser provados mediante a designação e enquadramento contextual e humanístico, de outro modo, são apenas números, taxas, índices e pouco mais, variando consoante aquele que LÊ os números – não há nada mais aleatório.


Se todos tivessem presente a dignidade dos que trabalham numa escola e, essencialmente, a principal função da educação, uma avaliação, fosse qual fosse (interna, externa, formativa, classificativa, de desempenho ou do que quer que seja) teria somente um sentido humanista dentro de um sistema humanizado e criador de sentidos…para todos.

Afinal a principal (não a única) função da avaliação é auxiliar a criar formas de compreendermos a realidade e podermos, em equipas pedagógicas, melhorar o acesso à investigação do conhecimento e à sua apropriação individual e crítica para produzir...conhecimento actual, seja em que nível de ensino for. Hoje, o medo, não vai para a Ministra, perde-se muito tempo, em uníssono, em “bater no ceguinho” e pouco em discernir sobre o que estamos, neste palco, realmente a produzir…e a culpa não é do técnico das luzes!


Hoje o medo é do colega (ex) que pode detectar as minhas falhas, as minhas inseguranças, por isso utilizo o medo para me assegurar que não me tocam na avaliação! (Estava a brincar…não! Eu não disse isso, onde está escrito? Eu não tenho medo!!! Quem? Medo eu?)



Reafirmo:Procuro indícios de consciência crítica nos professores e nas professoras que interpretem os ECDs (o actual e os que ainda hão-de vir) com a dignidade que merecemos. Casting (afinal isto não é um reality show? Não há já aquela ideia das câmaras de filmar para reduzir a violência? Pois!):


Procuram-se professores e professoras que, independentemente de quem ministra, se preocupem, de facto com os seus alunos e com o que ensinam ou ajudam a aprender…o resto é conversa que cansa e em nada muda a realidade, essa sim, precisa do nosso empenho individual e colectivo…para que palavras como “recrutamento” e “regimento” de conotação tão militarista (retirada à nova ideologia) não façam parte do nosso vocabulário educativo.




Receita
(nós adoramos receitas e prescrições)



-Quer uma grelha? Bem passada ou mal passada? Sai uma grelha!



– Quer uma taxa? Ainda há uma drogaria aqui perto, senão só no hiper-mercado.



– Quer um índice? O Word formata isso num instante. É pra já!



- Um indicador? Pode ser GPS??? Pois, só se for GPS, os outros esgotaram o stok.



("Vire agora à esquerda…abrande, não, não é por aí, no cruzamento vire à sua direita e siga em frente, isso gente para onde vai todo o mundo" - ler com sotaque brasileiro ou formate o aparelho na língua que entender).






Viram como as palavras se desdobram?

Bom, eu avisei que era um disparate, deu-me para aqui.

É que estou a ler Giroux (autor incontornável para a investigação em Ciências da Educação - a ironia) “Para além do espectáculo do Terrorismo – A incerteza Global e o desafio dos novos Media”…uma pessoa precisa de manter a esperança, e este sujeito só sabe dizer mal, é um chato! Nem é politicamente correcto dizer mal, temos que nos consciencializar que tudo está bem, sorrir muito – rir faz bem à saúde!

Preocupações fazem mal à saúde e nós sabemos que a Saúde tem sido uma das principais preocupações do nosso GPS, por isso já não podemos usar tachos de barro, nem rolos da massa (que tanto contribuíram para o nosso imaginário nacional), ou panos de cozinha, etc. só plástico e papel…depois a lei do tabaco, nós não queremos os portugueses doentes, (além disso o ambiente também é uma preocupação), nada disto é à toa, se reduzirmos os serviços de Saúde pública haverá menos doentes, né? Óbvio!

E voltando aos professores, esses não serão “excelentes” se tiverem de faltar por assistência à família, parto, gravidezes, mortes de familiares, etc.



As professoras que se desenrasquem, quem as manda engravidar? “Excelente” só há um!

Uma “escola de sucesso” não pode ter dois professores, ou professoras, excelentes…têm de ir a tira-teimas no ringue da avaliação:




Tira-se o envelope e…voilá: o vencedor é…(suspense)…

“Agradecemos à produção, aos operadores, à regi e principalmente (!) aos telespectadores, a este público fantástico que apoiou, aplaudiu e sofreu pelos nossos concorrentes, é para VÓS (!) a razão de estarmos aqui, o nosso muito obrigado!”

"O vencedor é...o magnífico! O único! O autêntico! o brilhante...x"




(lágrimas de comoção)

Agora a sério: "eles" são uns grandes pândegos, deve dar um gozo bestial ver-nos a fazer exactamente o que "eles" querem e não o que "eles" pedem...

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

só mais um...

desculpem,

não resisto a colocar mais um texto do blog

"el adarve" um blog de

Miguel Ángel Santos Guerra

esperando que se sintam inspirados não só pela acutilância da observação cívica, profissional, ciêntífica e emocional,

mas também porque fala dizendo coisas sérias com a capacidade de utilizar as palavras para dizer o que precisa (de facto) ser falado.
afinal de que (e para quem) serve o conhecimento se não for para criar reflexão e sabedoria?
no meio de tanto pró-"lixo tóxico"
uma profilaxia
com palavras que contam retratos da
(nossa própria)
história



"jefes tóxicos"







"Acabo de leer un interesante libro de Iñaki Piñuel, cuyo título sirvió de anzuelo para mi curiosidad: “Neomanagement. Jefes tóxicos y sus víctimas”.

A juicio del autor, hay jefes que no sólo no ayudan, ni estimulan, ni coordinan, ni alientan a los súbditos sino que los envenenan, los destruyen, los humillan, los ‘carbonizan’.

La palabra autoridad proviene del verbo latino auctor, augere, que significa hacer crecer. Tiene autoridad aquella persona que ayuda a crecer. Las otras tendrán, quizás, poder. Y pueden utilizar el poder para aplastar, silenciar, impedir el crecimiento y hacer la vida imposible. O bien para todo lo contrario. Cuando se utiliza el poder de esta segunda forma se llega a tener autoridad.Me indigna la actitud de las personas que, colocadas en el poder por quienes los eligen, lo utilizan luego para despreciar despóticamente a quienes deben la posibilidad de mandar. Olvidan que, en una democracia, quien tiene el poder es el que elige.

Quien ha de servir es el que ha sido colocado en el poder.

Hay otras formas de llegar al poder, al margen de la elección democrática. Por designación, por concurso, por dinero, por herencia, por enchufe, por la fuerza…

Sea cual se la forma de acceder a un cargo, hay muchas opciones de actuación, infinitas formas de comunicación con los subordinados… Conviene instar a quien tiene el poder a que reflexione sobre el mejor modo de ejercerlo en beneficio de los fines que se persiguen (sin olvidar que el fin no justifica los medios) y sobre la ética que ha de presidir la comunicación humana (teniendo en cuenta que la dignidad de las personas ha de ser inviolable).

La toxina es un veneno producido por los organismos vivos.

Se entiende que el veneno, en este caso, es de naturaleza psicológica. Los efectos que produce en las víctimas el veneno que le inoculan los jefes perversos son de diversa naturaleza e intensidad: destrucción del autoconcepto, condena al ostracismo, incremento desmedido del trabajo, anulación de estímulos, taponamiento en el escalafón, angustia, degradación de categoría, desmoralización….

El jefe tóxico se siente superior, se cree superior.

Los más acomplejados tienen que mostrar más claramente esa pretendida superioridad.Qué decir del jefe tóxico varón cuando tiene bajo sus órdenes a una mujer eficaz siendo él un inútil. La única forma que tiene de sentirse importante es anularla. No soporta que una mujer diligente, guapa y feminista (todas deberían serlo) le esté recordando a cada minuto su nimiedad, su incompetencia, su inutilidad. Si la puede eliminar, la elimina. Si la puede humillar, la humilla. Si la puede arrinconar, la arrincona. Porque es un miserable y un cobarde. La luz que desprende una mujer brillante deja al descubierto la basura que cubre al jefe misógino.

Me gusta ver en la realidad y en las películas situaciones en las que un jefecillo déspota es puesto en su sitio por un superior sensible.

Los jefecillos tóxicos suelen ser serviles con quienes tienen por encima en el escalafón. Son duros con las espigas y blandos con las espuelas.

Claro que, ante un jefe tóxico, la mejor forma de reaccionar es la inteligencia y el desdén.

Quizás conozca el lector esta elocuente historia. Un jefe cruel pretende castigar a una persona honesta que tiene bajo su mando acusándola de graves delitos que no ha cometido. Como ésta manifiesta insistentemente su inocencia, el jefe pretende entregar su suerte al destino. Le dice que le va a someter a un juego de azar. Meterá en un bolsa dos papeles. En uno está escrita la palabra inocente. En el otro, la palabra culpable. Si saca el primero quedará en libertad. Si saca el papel con la palabra culpable, será castigado. El jefe mete en la bolsa dos papeles en los que ha escrito la palabra culpable. Así se asegura de que será castigado. Llegado el momento, le pide al acusado que saque uno de los dos. Éste se queda pensativo antes de hacerlo. Con decisión, mete la mano en la bolsa, saca uno de los papeles y con rapidez se lo mete en la boca y se lo traga.

– Desgraciado, dice el jefe, ¿qué haremos ahora?

– Muy sencillo, responde el sagaz subordinado: veamos qué papel está dentro y así sabremos cuál es el que he sacado.La estrategia había sido perfecta. Le tuvieron que absolver. Descubrir la trampa hubiera sido un bochorno para el jefe. Ojalá que la inteligencia se pusiese siempre del lado de la bondad.

¿Quién no conoce a jefes que han sido colocados donde están por haber sido aduladores, trepas, servidores acríticos de quien tiene el poder de nombrarlos? Una vez en el poder se vuelven duros, déspotas, crueles.

Existe para mí un criterio decisivo para valorar la actuación de un jefe: ¿a quién desea tener contentos, a los de arriba o a los de abajo? Si es adulador con quienes mandan y cruel con aquellos a quienes tiene debajo, yo creo que es un jefe tóxico.

Los jefes tóxicos suelen actuar de forma casi natural en organizaciones tóxicas y aprenden fácilmente de otros jefes tóxicos a los que han visto actuar o de los cuáles han sido víctimas. Los jefes tóxicos agresivos suelen ser tolerados y tratados con mucha tolerancia atribuyendo su actuación al hecho de ser ‘personas con carácter’ o sencillamente con la explicación de que ‘son así’ o de que ‘hay que aceptarlas como son’.

Los jefes tóxicos hacen uso y abuso de estereotipos rígidos y negativos sobre las personas: “piensa mal y acertarás”, “la gente nunca es sincera”, “las personas tienden a aprovecharse de tu bondad”, “un comportamiento amable encubre intenciones interesadas”, “es necesario guardar las distancias”, “no hay que fiarse de nadie”, “pedir ideas a los demás es mostrar debilidad”, “no conviene dar confianza a las personas, pues luego abusan de ti”, “la participación supone la abdicación de la autoridad”, “si muestras debilidad se te suben a las barbas”…

Los jefes tóxicos deben ser derrocados por el sentido común de quien los nombra o por la actitud democrática de quienes los padecen. Es necesario practicar la valentía cívica, que es una virtud democrática que exige comprometerse con causas que, de antemano, sabemos que están perdidas."