sexta-feira, novembro 20, 2009

interactive - revista

plataforma para a arte contemporânea e pensamento

terça-feira, novembro 17, 2009

domingo, novembro 15, 2009

Carla Nazareth, Alexandra e Materiais Diversos

encontrei hoje ilustrações, que se tridimensionam, "fora de série"! desta ilustradoraCarla Nazareth no último andar do TorresForúm
não resisti a trazer o livro "Um mundo de mamãs" de Marta Gómez Mata para a minha colecta de tesouros.
a exposição da Alexandra foi o pretexto para o desvio,
de colorido intenso, imenso e vibrante faz-me sentir que na cidade crescem outros olhares, formas de ver possíveis imaginários...finalmente começos...
deparei-me com o Cartaz do Festival "Materiais Diversos" de 19-29 de Novembro numa parceria geográfica entre
Alcanena.Minde.Torres Novas
com direito a "manifesto"
e era uma espécie de sonho do sopé ao topo da serra
inteligente, sagaz, pertinente
espero que ao público estremeça
por fim
a terra
e se recrie urgente!

quinta-feira, novembro 12, 2009

sábado, novembro 07, 2009

índios

JLBORGES

Jorge Luis Borges: "Nubes I"
------------
--- --------
---
----------------------------------- ---
-----
- -------------------------------- --------


"No habrá una sola cosa que no sea
una nube. Lo son las catedrales
de vasta piedra y bíblicos cristales
que el tiempo allanará. Lo es la Odisea,
que cambia como el mar. Algo hay distinto
cada vez que la abrimos. El reflejo
de tu cara ya es otro en el espejo
y en el día es un dudoso laberinto.
Somos los que se van. La numerosa
nube que se deshace en el poniente
es nuestra imagen. Incesantemente
la rosa se convierte en otra rosa.
Eres nube, eres mar, eres olvido.
Eres también aquellos que has perdido."

meninas...o que não se vê...sempre o que desafia a percepção



o que não se vê...sempre o que desafia a percepção...e o desenvolvimento da consciência...o óbvio não atravessa os sentidos e sempre estagna até à pantanosa rotina das aparências.

quinta-feira, novembro 05, 2009

gabriel pacheco


"la mirada sucede en el cerebro, como las ideas,
y la imagen en el ser, donde los sueños."



agencia pencil


uma ilustração fantástica!

turn left | rigth turn

news bienal de cerveira


artech


_______________________________


ARTECH 2010 -5th International Conference of Digital Arts
22 & 23 April, 2010 - Guimarães, Portugal

http://www.artech-international.com/artech2010

Call for Submissions

Artech 2010 is the fifth international conference held on the topic of Digital Arts. It aims at promoting contacts between Iberian and International contributors concerned with the concept, production and dissemination of Digital and Electronic Art.
Artech 2010 aims at bringing the scientific, technological and artistic community together, while promoting the interest in the digital culture and its intersection with art and technology as an important research field, a common space for discussion and exchange of experiences, a forum for emerging digital artists understanding and be delighted with new forms of digital expression.


Main areas are related with sound, image, video, music, multimedia, architecture and other new media related topics, in the context of emerging practice of artistic creation. Although non exclusive, the main topics of the conference are:
-Art and Science Theory
-Audio-Visual and Multimedia Design
-Creativity Theory
-Digital Fabrication
-Electronic Music
-Generative and Algorithmic Art
-Generative Computational Design
-Immersive Art
-Interactive Systems for Artistic Applications
-Media Art history
-Mobile Multimedia
-Net Art and Digital Culture
-New Experiences with Digital Media
-Parametric Design
-Tangible and Gesture Interfaces
-Technology in Art Education


Submissions
Authors are invited to submit:
-A full paper of six to ten pages for oral presentation
-A short paper up to four pages for poster presentations or art installations proposals
Submissions are accepted in the conference official languages: English, Portuguese, Galician and Castilian.

Submission format
All papers should be in A4 format and should be formatted in accordance with the norms and guidelines defined in the model available in the Artech site.
All papers accepted for presentation will be published in a duly registered book (ISBN) and a selection of the best papers will be published in an appropriate scientific and technological academic journal.

Link for Submission System: https://www.easychair.org/login.cgi?conf=artech2010

Submissions can also be sent via e-mail to: submissions@artech-international.com


Full papers submission: 27 November 2009
Installations proposals and short papers submission: 04 December 2009
Full papers notice of acceptance: 15 January 2010
Installations proposal and Short notice of acceptance: 29 January 2010
Submission full paper final version: 25 February 2010
Early Registration Deadline: 22 March 2010

Organization
[UM] Minho University, School of Engineering/School of Architecture


Leonel Valbom
Artech 2010 Chairmain

domingo, novembro 01, 2009

MIGUELANXO PRADO, DEPROFUNDIS EN MIRADAS 2



o desenho, a música, a animação, talento, un regalo para quien consegue disfrutar sin palabras una posta de sol

de profundis de Miguelanxo Prado



Miguelanxo Prado com banda-sonora de Nani García

alice




A nova versão de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, realizada por Tim Burton

"nas tuas mãos"

01-01-2009
aqui:


"A paixão agita a economia do mundo; é a única falência de sucesso."


"A verdade é que não há nada tão cruel como um amor perfeito. Passamos vidas inteiras a arranjar suspeitos, a confrontar testemunhas. Toda a gente sabe que ele aconteceu, mas ninguém o viu. Ninguém sabe descrever-lhe o rosto. Ataca sobretudo em horas ou pessoas de plena distracção, à revelia dessa confortável invenção humana a que chamamos razão. E ataca com escândalo. Perturba a serena ordem deste mundo, que é a das pessoas se atropelarem diariamente a alta velocidade, por mais de um automóvel, uma assoalhada ou uma promoção."

"A víscera que aquecia o mundo transformou-se num cemitério saturado, onde os mortos vão crescendo numa massa única, alimentando-se da terra em vez de se dissolverem nela."

(inês pedrosa, 2009, "Nas tuas mãos" Leya, SA)

"Não sei fingir que amo pouco quando em| mim ama tudo" Virgílio Ferreira



bem que eu me aproximei devagarinho para apanhar os pescadores na faina do mar...parecem pirilampos de água enquanto a noite cai. mansa. tremeu-me a mão e nem a noite que estava mais cor de breu apanhei.


quinta-feira, outubro 29, 2009

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,

Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!"

Pablo Neruda

um obrigada à
Presidente da Direcção do Centro de Bem Estar da Zona Alta, pelo poema, pela coragem e pelo exemplo e pelo carinho e pelo orgulho! mulher sábia/coragem/carinhosa!(filha da minha avó Ester)

segunda-feira, outubro 19, 2009

o campo hoje a preto e branco







opacos e transparentes











Centro de Avaliação e Intervenção Psico-Educacional

Centro de Avaliação e Intervenção Psico-Educacional
tel: 767 483
Lagos

uma placa cujas palavras chave fariam fugir qualquer necessitado de dar ou receber o que quer que fosse nos dias de hoje, mas nos nossos princípios de sermos gente terá sido, eventualmente, um lugar de boa fé...e onde, possivelmente, se fez alguma coisa.

Vê-se pelo logotipo. Gente de braço dado em crescendo..."quase" ingénuo e nada conveniente.

Hoje teria uma patone (CMYK) talvez entre o "beringela" e o "maçã verde" traduzindo um dar lugar ao "espírito" e a uma "ecologia" da avaliação e da intervenção Psico-Educacional que hoje não sabemos mais o que é nem do que se trata, talvez porque servirá para muito pouco...por isso quiçá umas referências ao abstracionismo da coisa, umas bolas alteranando tamanho para sugestionar uma acolhedora participação e, ao mesmo tempo, dar um toque anos 60...arte pop (popular), ou então umas tiras ondulantes (a parte da psico-educacional) a finalizar e enredar o enquadramento tornando o "logo" mais cativante. depois a web, claro! e os 3 dígitos do telefone indicando espaço e lugar geográfico. depois aquilo que a gente sabe. Para nada! HOJE! (a foto é de ontem)

por terra ou por mar







fernão capelo?






não é fácil caçar as gaivotas todas

CLOQUE | lugar de eleição



ontem ausente

sábado, outubro 17, 2009

sexta-feira, outubro 16, 2009

quase sem querer . zélia duncan




viola e voz e viola
A primeira vez que ouvi Lenine foi numa loja perto da Praça da Catalunha em Maio passado. a música acompanhou o meu tempo|espaço . pedi o nome do cantor . comprei o cd . tenho-o aqui comigo . ainda não tive tempo para ouvir com um pouco mais de calma . às vezes as músicas marcam os lugares onde fomos (do verbo ser).

Festival da BD dia 23 OUT a 8 NOV Amadora

a namorada de wittgenstein

revista INUTIL

Editorial #1

"INÚTIL pretende ser um terreno onde a experimentação do registo poético passe pelos ângulos, escadas, esquinas, becos e afagos da expressão artística, desconstruída pelas duplas mãos da palavra e da imagem. O inútil desmultiplica-se em processo de pensamento, na conversa desfocada entre a lente do fotógrafo, a curva da estrada, a imagem encurralada no papel da viagem até ao interior da página.Começa assim a vida de uma espécie Inútil, desintegrada em imaginárias matérias. As piruetas fazemo-las nós, a três dimensões, em traços construídos de margens e desenhando letras suspeitas de deslizes triangulares. No sofá estendemos circularmente a poesia, a prosa poética, o ensaio, o desenho, a fotografia, a colagem, o movimento, costurados em diálogos cúmplices com a linha do conceito temático de cada número. A periodicidade é inútil, ainda que assuma agora a forma quadrimestral.Pretendemos acordar sem nos lembrarmos dos sonhos. Crescer em plataformas de rasgões de luz, como o lado contrário do útil, que se perde sempre em registos demasiado fáceis de conceitos literários esvaídos. Rascunha-se o tema como corpo começado e inutilmente deixado ao relento para que se descole a pele e se rasguem os princípios do preto e branco geométrico da arte transformada na coisa inútil que será sempre. INÚTIL é um ensaio onde a ilusão pode ser sempre o vibrato do olhar.Agora, fechemos os olhos e comecemos a ilustrar a porta de um dos mortais pecados assinados por aqui. Que seja a ira a pulsação INÚTIL do primeiro número."
Maria Quintans

[lançamento a dia 23 de Outubro, 22:00, Ler Devagar - LX Factory]

joão concha - ilustração




ic-ci

"O inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui, o inferno que habitamos todos os dias, que nós formamos ao estarmos juntos. Há dois modos para não o sofrermos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de já não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é o inferno, e fazê-lo viver, dar-lhe lugar."

Italo Calvino "As Cidades Invisíveis"

de Clarice








O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

quarta-feira, outubro 14, 2009

laranja, licor de mel, canela e hortelã

...fins de tarde cada vez mais imperfeitos: esquecer o dia, nem lembrar do trabalho, beber uma sangria com canela e hortelã na espreguiçadeira virada a sol e ao mar. ambientes vários. domingo fado ao vivo, hoje o saxofone refinava o bater das ondas na falésia. perguntar-me-ia cada vez mais onde, quando e porque razão, deixei o tempo tomar conta da vida...se não fosse a agradável sensação de não ter de responder sequer a qualquer pergunta e deixar o saxofone cantar por baixo das gaivotas...só. não se explicam os momentos que passamos ao lado da vida. viver só. não adocicar o cérebro com as pertinências e necessárias e inadiáveis soluções para o mundo e concluir em conclusivas inferências, devidamente fundamentadas e referenciadas, as contextualizações acidentadas das contemporâneidades, suspeitar que o mundo vai de mal a pior, que a natureza humana anda mais que perdida, que o mundo perfeito conceptualizado para o homem livre era isto afinal. laranja, licor, mel, canela e hortelã. pode ser tinto.

terça-feira, outubro 13, 2009

leve...prás viagens | do filho do Raul Solnado

| Lightness

Liliana Laranjo

efectivamente...leve..


sublime

Uma sublime caminhada tardia no passadiço de madeira à ida e contra um sol poente à vinda. Chegar ao limite do paredão junto ao farolim, sentir as entranhas do mar. Não me recordar nem poema, nem imagem, nem música semelhante ao lugar e ao momento. Eu, uma brisa e uma espécie de navegação irreal. Depois o sol a desfazer-se no espelho de sal e a areia molhada numa praia quase deserta com gaivotas a voar aos círculos como se também eu pudesse fazer parte dessa dança. Convite. Passos inseguros ainda, pura magia caminhar no movimento das coisas incertas. Surfistas da tarde. Esquecer as nódoas negras da mudança e os braços doridos de carregar caixotes e malas e vida. Pergunto como pude deixar passar tanto tempo sem fins de tarde assim a troco de um computador fiel, às vezes virulento, à frente do nariz. Não levei máquina. Impossível capturar o aroma. Valiosas coisas de graça.

segunda-feira, outubro 12, 2009

terça-feira, outubro 06, 2009

sem tempo para arrelias



à tarde


...até hoje.
(e sem o clik mágico da Margarida e do Zé Ricardo, mas com um batido de frutas tropical e o sorriso ímpar da Sara)
com abraços
mgm

quarta-feira, setembro 16, 2009

às portas - das eleições -

enviou a Manuela, envio-vos a vós
Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007),

teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos,

por isso façam uma leitura atenta.



Precisa-se de matéria prima para construir um País
Eduardo Prado Coelho - in Público


A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia,

bem como Cavaco, Durão e Guterres.

Agora dizemos que Sócrates não serve.

E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.

Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão

que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.

O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda

sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.

Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude

mais apreciada do que formar uma família

baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais

poderão ser vendidos como em outros países, isto é,

pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal

E SE TIRA UM SÓ JORNAL,
DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares

dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,
como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil

para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo,

onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:

-Onde a falta de pontualidade é um hábito;

-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.

-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois,

reclamam do governo por não limpar os esgotos.

-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que

é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória
política, histórica nem económica.

-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis

que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média

e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.

-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços,

ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada

finge que dorme para não lhe dar o lugar.

-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro

e não para o peão.

-Um país onde fazemos muitas coisas erradas,

mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates,

melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem

corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português,

apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim,

o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas,

mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita,

essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui

até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana,

mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates,

é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós,
ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje,

o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima
defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor,

mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a

erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco,

nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa ?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei

com a força e por meio do terror ?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece

a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados,

ou como queiram, seguiremos igualmente condenados,

igualmente estancados... igualmente abusados !

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa

a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento
como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos,

a ver se nos mandam um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses

nada poderá fazer.

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:

Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,
francamente, somos tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável,

não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)
que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco,

de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI
QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa ?... MEDITE !

PARTILHE, contribua!
EDUARDO PRADO COELHO

terça-feira, setembro 15, 2009