
Foto: National Geographic - Janeiro 2009
Princess Tolstoya, 1800-1873
Unknown woman

William Blake


Confesso que já ouvi gente debitar latim sem "entender"-"compreender" efectivamente o que estava a dizer. Mas lá que parecia mais erudito parecia. E umas SMS em Latim daria a volta a muita rapaziada.
4. As salas de aula deverão voltar a ter um estrado. O ensino deve estar centrado no professor e não no aluno.
É verdade que há professores com baixa auto-estima, mas não será exagero voltar aos estrados para “iludir” uma pretensa sugestão de autoridade?
Serão os professores assim tão baixos que necessitem do estrado para elevarem o intelecto uns centímetros acima do dos alunos? Ficarão mais perto do céu?
(eu gosto de me sentar nas mesas dos meus alunos e não me dou mal com a estratégia, nem isso me retira qualquer tipo de autoridade! – ai deles!). E nem sequer levanto a voz.
E porque necessita o professor que já passou pela escolaridade, que o ensino se centre nele?
Será mais uma ilusória proposta de iludir a auto-estima?
O Ensino deve estar centrado no professor quando este continua a desejar aprender e ser aluno no local certo – como aluno.
O Ensino deve estar centrado no aluno! E está na filosofia educacional, mas não foi sequer ainda entendida a proposta do que isto realmente representa. Por isso se verificam propostas que já pedem o contrário…ao que o 25 de Abril trouxe para o País e que muitos outros Países reconheceram como exemplo.
É o aluno que está a aprender (e duvido, pelo que tenho lido do JR que não se focalize nos seus alunos), seria simplicidade minha entender que isso quer dizer que a palavra “ensino” tem uma direcção e um caminho?
Partilhado muitas vezes talvez, mas centrado no professor???
Para quê?
Eu não quero que o ensino se centre em mim!!!
Quero sempre que a aprendizagem seja ainda possível ao estilo desportivo (ao ar livre): equipas de trabalho, gosto de ter adversários que me rebatam a bola e não uma parede em que a bola volta com o impacto com que a lancei eu (de que me serviria isso? Isso serviria a quem?).
A Educação deve estar centrada na Educação – Professores e Alunos são os protagonistas principais do que se ensina e do que se aprende e do “como “ se ensina.
5. Existência de numerus clausus no 9ºano. Apenas alunos com um determinado percurso escolar podem ingressar em cursos que darão acesso ao ensino superior.
Lá se ia a economia do Ensino Superior!!!:-)
Eu atrever-me-ia a sugerir que alguns alunos vissem uma luz diferente da do Ensino Superior dentro da Escolaridade Obrigatória. O Ensino das coisas básicas para a sobrevivência num universo onde o desemprego aumenta seria a minha sugestão. Cursos Profissionais, tecnológicos, o que seja, mas com a dignidade que realmente merecem (aqui sim, voltaria a alguns projectos antigos dos antigos Liceus): Culinária, mecânica, costura, electricidade, geriatria, pediatria, etc. têm conhecimentos essenciais para tratar dos que nascem, dos que envelheceram, dos que se divorciam, dos que são pais e mães precoces, dos que verificam, como eu, que cada vez que a máquina da loiça se estraga, fica mais caro pagar a alguém que a arranja temporariamente, que comprar uma nova…e voltamos à economia.
Aqui chego ao teu ponto 6:
6. Separação, clara e inequívoca, entre Cursos Gerais e Tecnológicos. Nos Cursos Gerais, dever-se-á aumentar drasticamente o grau de exigência. Os Cursos Tecnológicos serão radicalmente práticos.
Entendo a necessidade da separação clara e inequívoca, não entendo a diferença entre o aumentar o drasticamente o grau de exigência de um lado e o radicalmente prático – não tem a prática um elevado grau de exigência???
7. Revalorização das aulas expositivas.
Não estão elas revalorizadas, ou tenho estado demasiado distraída??? É que não encontro muitos colegas que não adoptem aulas que não sejam expositivas…
Eu gosto do equilíbrio. E não gosto da dormência.
8. Não bastará exigir o 9.º ano ou o 12.º ano para poder ingressar em certas profissões. De ora avante, passará a ser exigida uma média mínima. Por exemplo, para ser admitido no sector terciário (escritório, secretaria, banco, finanças, tribunal) será exigida uma média de 14 valores no ensino secundário.
Creio que o actual sistema educativo estará já a tratar disso…valores é coisa que não nos faltará.
9. Exames nacionais em todas as mudanças de ciclo: 4.ª classe, 6.º ano, 9.º ano, 12.º ano.
Embora deteste as “vigilâncias” de exames nacionais não me oponho (falta saber das características desses exames)…mudanças de ciclo sempre devem exigir uma correspondência por parte de quem se propõe iniciar um novo ciclo.
10. Sempre que um aluno revele atitudes de indisciplina na sala de aula, o director de turma fará uma participação ao Encarregado de Educação, o qual será obrigado a pagar à escola uma multa de 10 euros, por danos morais. O dinheiro será utilizado para a compra de material escolar. Quando a indisciplina dos alunos começar a doer nos bolsos dos pais estes ir-se-ão finalmente lembrar que a educação começa em casa e não na escola.
José Ricardo, se a Educação começa na Escola e não em casa é como a questão do ovo e da galinha…Na Escola eu não educo filhos e sim alunos. Em casa não educo uma aluna e sim uma filha.
Pena que a tua proposta só sirva para os alunos que podem dispor de 10 euros cada vez que são indisciplinados. Talvez a “cofidis” abra uma nova linha de crédito. É que temos efectivamente alunos revoltados que quase não vêem a mãe porque trabalha à noite nas limpezas do Hospital, ou na fábrica das carnes, ou numa treta qualquer de emprego que por meia hora não lhe dá o direito ao salário mínimo nacional e lhe dê 300 euros para levar para casa. (este é um exemplo)
Também temos aqueles que estão tão habituados a achar que os professores são uns trastes e não se importam nada de pagar 10 euros só para terem o gozo de insultar um prof. de vez em quando, em vez de os gastar na actualização da sua Wii.
Talvez um dia a Wii faça uma simulação aos possíveis insultos e assim desapareciam a indisciplina na Escola e teríamos uma nova oportunidade de mercado.
11. Os alunos que não revelem qualquer tipo de empenho relativamente ao seu percurso escolar serão obrigados a abandonar a escola visto tornar-se um percurso absolutamente inútil. Tal não significa, porém, que a escola abandone o aluno. Este terá oportunidade de ingressar no mercado de trabalho onde irá ter a possibilidade de manifestar as suas capacidades, sendo acompanhado por um técnico de assistência social que fará a ligação entre a escola e a empresa.
E esse técnico faria o quê exactamente nessa ligação?
12. Os professores serão obrigados, ciclicamente, a regressar a um estabelecimento do ensino superior, a fim de actualizar permanentemente a sua formação científica e não perderem rotinas intelectuais consideradas fundamentais na sua profissão. A formação de um professor é fundamentalmente científica e os professores jamais deverão esquecer tal ideia.
Apoiado!!! Já agora facilitem lá um pouquinho e voltem as sabáticas e equiparações, dava-me um jeitão!
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Por isso fiz greve,
por isso manifestei a minha solidariedade,
por isso observei.
propus-me ser avaliada no que faço e no que não faço!
no que sou e no que não sou!
e, dentro das regras impostas, hei-de procurar sempre sugerir a criação de "pontes"...porque antes das regras impostas agora, estavam outras regras impostas outrora, o segredo é talvez ainda acreditar que se cria, sempre.
Vicente Zatti
incluído no site em 18/09/2005
"A vontade de poder leva à transvaloração dos valores, ou seja, criação dos valores"
"Larrosa coloca esse papel criativo como a arte de fazer com que cada um torne-se a si, desenvolva suas potencialidades. “Chega a ser o que és! Talvez a arte da educação não seja outrora senão a arte de fazer com que cada um torne-se em si mesmo, até sua própria altura, até o melhor de suas possibilidades. Algo, naturalmente, que não se pode fazer de modo técnico nem de modo massificado”.
[p.49 LARROSA, Jorge. Nietzsche & a Educação. Trad. Alfredo Veiga-Neto. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. ]
(Alfredo Veiga-Neto esteve na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa com Thomas S. Popkewitz em 2008 - creio ter citado neste blog a conferência - realizada em 1 de Fev. 2008, com o tema "Crise da modernidade e inovações curriculares: da disciplina para o controle")
"O pensamento de Nietzsche é também para a educação uma provocação, por lançar suspeita nos fundamentos pedagógicos e um alerta, já que os sistemas de idéias não são neutros, são expressão de vontade de poder.
Por fim, abre espaço para pluralidade e aceitação das diferenças. Não há aluno ideal, nem todos se enquadram no modelo escolar moderno. Por isso temos que trabalhar com os alunos reais, aceitando as diferenças, o que abre espaço na escola para alunos que antes eram excluídos do processo educativo. Incluir sem negar as diferenças para que cada um possa tornar-se a si mesmo, é o desafio. "







"grande vidro" 
