sexta-feira, março 13, 2009

Pintura



\\\"China: Trabalhadores aplicam primário resistente à ferrugem numa fábrica de Huaibei. Em breve acrescentarão uma segunda camada à prova de água a esta torres de arrefecimento com 140 metros de altura"

Foto: National Geographic - Janeiro 2009

The Somnambulists

Princess Tolstoya, 1800-1873

Unknown woman

...os últimos trabalhos fotográficos de Joanna Kane de Edinburgh reconfiguram de novo o trabalho da ciência-da tecnologia-da maquilhagem da morte-reconstruindo a questão da vida.
Retratos pouco convencionais entre o respirar e a captura da imagem que corta a respiração:
"The Somnambulists" invocam ainda as faces/rostos/máscaras de Keats, Blake, Wordsworth and Coleridge...e pertencem à Sociedade de Frenologia (proto-ciência - a estrutura do crâneo e a fisionomia do cérebro determinariam o carácter da pessoa) de Edimburgo...só para os que o utilizam claro...
J. K. junta a este este trabalho também muita pele-textura-neural-nimbo-atravessando a linha de sombra-cor de chumbo-então o medo de regressar à solidão-mais medo que a morte-o sonho-o cadáver reinventado-o umbral onde a claridade é mais concreta...
From Kane’s introduction to The Somnambulists:
“The life or death mask can be considered the sculptural analogue of the photographic portrait. Both suggest direct traces from life, involve positive and negative, and evoke a mysterious connection between living, breathing subject and captured image…
In creating the portraits, the aim has been to take these subjects out of the categories and hierarchies of the phrenological collection. My interest has been in transforming them from disembodied scientific specimens into photographically embodied images of individual men and women.”

quinta-feira, março 12, 2009

"Aleph"



"Aleph que para o escritor Jorge Luís Borges é


«o lugar onde estão ,

sem se confundir,

todos os lugares do mundo,

visto de todos os ângulos»"




capítulo: "o desejo do absoluto"


sobre Picasso "retrato de Kahnweiller"


sobre "de humani corporis fábrica de Versálio - as dissecações de cadáveres que Versálio (André Versálio, professor da Universidade de Pádua, que seguia uma enorme tradição de humanismo médico e que se integrava numa dinâmica particular de desenvolvimento do espírito crítico em face dos textos clássicos de medicina-(Tavares, 2002, pp. 34-38)-a medicina procurava romper com o passado e já não tem por objectivo re-confirmar um conhecimento pré-existente, mas construir um novo conhecimento (como Leonardo). A "fábrica" terá contribuido também para a qualidade mimética do desenho da figura humana - a nova importância do olhar.




Gonçalo M. Tavares "A temperatura do Corpo" Epistemologia e Sociedade" (2001) Instituto Piaget pp. 129


O Aleph, Estampa, pp.171-172


e começa assim:


"Introdução e Propósitos


Involuntariamente, assim misturavam a maravilha à ciência.

Eu fazia questão de estar sempre a corrigi-los:

«Não! Não há nenhum galo para dar ordens de partida de comboios! Não!

O rito do relâmpago

não é indispensável para acendermos as nossas lâmpadas eléctricas...»

Apesar disso,

iam dali desconfiados e a tentar descobrir o que estaria eu realmente a ocultar-lhes."


Henry Michaux "No País da Magia"

William Blake

quarta-feira, março 11, 2009

Egoísta


com uma capa tridimensional holográfica a Revista Egoísta nº 37 de Dezembro 2008:

Com elenco entre outros:
Pedro Cláudio

terça-feira, março 10, 2009

domingo, março 08, 2009

Anne-Sophie Rutsaert

8 Março

para lembrar...

um cartão de

Anne-Shophie

outro de

Anne Julie

e
uma música


sábado, março 07, 2009

Passeios, praças, pinturas

José Ribeiro expõe na Galeria Municipal de Arte de Abrantes de 14 a 13 de Março
o passeio do acaso de hoje e a imagem da pintura do convite levou-me lá...

A Galeria, situada na praça da Câmara Municipal sempre me deixou fascinada pelo espaço, pelas pedras, pela disposição arquitectónica da luz, pelos projectos e pela Paula que toma conta do espaço
deixando-me na expectativa de projectos, entusiasmos e perspectivas de dinamização de actividades várias...










...quando saio, encontro estas simpáticas personagens a ensaiar músicas na esplanada:
-E quem são vocês, hum?
-"ESTATUNA" "esta" de Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, explicou o Ernesto que antes estava a cantar em Espanhol!!!
Ora eu, acabada de sair de uma exposição de Pintura, uma praça, música, sento-me, tomo o meu café de esplanada e a língua de Espanha que "me encanta" percorrendo a atmosfera do lugar...
coisa linda!
ainda bem que não fiquei em casa.
Obrigada aos "Estatuna" pelos sorrisos para a foto.

quinta-feira, março 05, 2009




retirei no "A ver o Mundo" do Jorge Maia

domingo, março 01, 2009

Nostalgia?





O José Ricardo no Jornal Torrejano In Jornal Torrejano, 27-2-09
e no seu blog "Ponteiros Parados"

propõe 12 medidas para salvar as Escolas Públicas.

Como respeito e muito aprecio o que o JR escreve e é, fiquei um pouco surpreendida com as propostas e, procurando não recorrer a qualquer tipo de literacia das Ciências da Educação, apenas baseada na minha experiência, entendi comentar o que o José propõe porque me assustou vivamente...até a fotografia escolhida.

Não será este tipo de propostas que se querem como reacção ao que se tem feito com a Educação? Faz-me lembrar célebres frases populares quando as coisas ficam feias: “Ai o meu rico Salazar!!!”, “Dantes é que era bom!”, etc. e como não esperava isso do José Ricardo atrevo-me a comentar.


1. Ter, pela primeira vez, um ministro da educação que saiba, carnalmente, o que é uma escola, e não apenas através de estudos, teses, seminários, relatórios e assessores tresloucados."

Ou uma ministra…
De qualquer modo, com as tuas seguintes propostas, só terás Ministros com os requisitos formulados: “apenas através de estudos, teses, seminários, relatórios e assessores tresloucados”.


2. Valorizar de novo a memorização na escola primária. Por exemplo, ser de novo obrigado a decorar a tabuada, os reis de Portugal e respectivos cognomes, datas importantes, assim como poesias inteiras em ritmo cantabile. Foi assim que gerações inteiras, que venceram no mundo da ciência, da política, das artes e das letras, tiveram a sua educação básica e, pelos vistos, deu resultado.

Isto não é posto em causa pelo ponto 1? Afinal quem venceu? A Ministra? Os assessores tresloucados???

E não estamos nós e os alunos num mundo tão diferente?
Que exige respostas diferentes?
Que desafia os lugares já conhecidos dos teóricos?
Que nos coloca à frente alunos e alunas com enquadramentos sociais e culturais tão diferentes?
Que nos coloca à frente alunos que sabem utilizar as novas tecnologias como nós nunca vamos saber?
Que são indiferentes à sua História porque sabem de cor os últimos capítulos dos “Morangos”?
Eu valorizo a memorização!!! Adorava ter boa memória para os Reis e Rainhas e respectivos cognomes que aprendi a recitar e dos quais nada me lembro, tirando um ou outro cuja história me exaltava os sentidos ou me espantava…já a padeira de Aljubarrota (Brites de Almeida – fui verificar o nome na www) não me escapou…talvez por não ser rainha e eu adorar o pão de Mafra na altura da minha escolaridade básica.


3. Tornar o Latim disciplina obrigatória a partir do 7º ano substituindo disciplinas inúteis e embrutecedoras e infectadas pelo eduquês, como Estudo Acompanhado, Área de projecto ou Formação Cívica. O Latim é uma disciplina fundamental para desenvolver as capacidades mnésicas e a ginástica mental, para além de servir de base a uma posterior formação erudita.

Será? Então e a Música??? “Estudo Acompanhado, Área de projecto ou Formação Cívica”, e acrescento “Educação Tecnológica” dada semestralmente (que me desculpem as/os colegas) nada mais fazem que propor uma possível boa teoria em terreno infértil e mau.

Fica ainda pior quando os professores – formados no velho estilo “cantabile” se vêem confrontados com disciplinas que não têm uma Bíblia que possam repetir incansavelmente. Qualquer e repito – qualquer - disciplina dada por professores “menos preparados” dará sempre os resultados do “eduquês”.

Eu proporia a Música como disciplina obrigatória – têm lá tudo!!! Poesia, coreografia, Matamática, Geometria, Gestalt, cor, geografia, diversidade, cultura, rigor e paixão, tem emoção.

Uma aluna minha do 10º ano ouve
Edit Piaf no seu i-pod, obviamente tem formação musical…e adora! E ensina os outros a adorar.


Confesso que já ouvi gente debitar latim sem "entender"-"compreender" efectivamente o que estava a dizer. Mas lá que parecia mais erudito parecia. E umas SMS em Latim daria a volta a muita rapaziada.

4. As salas de aula deverão voltar a ter um estrado. O ensino deve estar centrado no professor e não no aluno.

É verdade que há professores com baixa auto-estima, mas não será exagero voltar aos estrados para “iludir” uma pretensa sugestão de autoridade?

Serão os professores assim tão baixos que necessitem do estrado para elevarem o intelecto uns centímetros acima do dos alunos? Ficarão mais perto do céu?
(eu gosto de me sentar nas mesas dos meus alunos e não me dou mal com a estratégia, nem isso me retira qualquer tipo de autoridade! – ai deles!). E nem sequer levanto a voz.

E porque necessita o professor que já passou pela escolaridade, que o ensino se centre nele?
Será mais uma ilusória proposta de iludir a auto-estima?
O Ensino deve estar centrado no professor quando este continua a desejar aprender e ser aluno no local certo – como aluno.
O Ensino deve estar centrado no aluno! E está na filosofia educacional, mas não foi sequer ainda entendida a proposta do que isto realmente representa. Por isso se verificam propostas que já pedem o contrário…ao que o 25 de Abril trouxe para o País e que muitos outros Países reconheceram como exemplo.

É o aluno que está a aprender (e duvido, pelo que tenho lido do JR que não se focalize nos seus alunos), seria simplicidade minha entender que isso quer dizer que a palavra “ensino” tem uma direcção e um caminho?
Partilhado muitas vezes talvez, mas centrado no professor???
Para quê?


Eu não quero que o ensino se centre em mim!!!
Quero sempre que a aprendizagem seja ainda possível ao estilo desportivo (ao ar livre): equipas de trabalho, gosto de ter adversários que me rebatam a bola e não uma parede em que a bola volta com o impacto com que a lancei eu (de que me serviria isso? Isso serviria a quem?).

A Educação deve estar centrada na Educação – Professores e Alunos são os protagonistas principais do que se ensina e do que se aprende e do “como “ se ensina.


5. Existência de numerus clausus no 9ºano. Apenas alunos com um determinado percurso escolar podem ingressar em cursos que darão acesso ao ensino superior.

Lá se ia a economia do Ensino Superior!!!:-)

Eu atrever-me-ia a sugerir que alguns alunos vissem uma luz diferente da do Ensino Superior dentro da Escolaridade Obrigatória. O Ensino das coisas básicas para a sobrevivência num universo onde o desemprego aumenta seria a minha sugestão. Cursos Profissionais, tecnológicos, o que seja, mas com a dignidade que realmente merecem (aqui sim, voltaria a alguns projectos antigos dos antigos Liceus): Culinária, mecânica, costura, electricidade, geriatria, pediatria, etc. têm conhecimentos essenciais para tratar dos que nascem, dos que envelheceram, dos que se divorciam, dos que são pais e mães precoces, dos que verificam, como eu, que cada vez que a máquina da loiça se estraga, fica mais caro pagar a alguém que a arranja temporariamente, que comprar uma nova…e voltamos à economia.
Aqui chego ao teu ponto 6:


6. Separação, clara e inequívoca, entre Cursos Gerais e Tecnológicos. Nos Cursos Gerais, dever-se-á aumentar drasticamente o grau de exigência. Os Cursos Tecnológicos serão radicalmente práticos.

Entendo a necessidade da separação clara e inequívoca, não entendo a diferença entre o aumentar o drasticamente o grau de exigência de um lado e o radicalmente prático – não tem a prática um elevado grau de exigência???


7. Revalorização das aulas expositivas.

Não estão elas revalorizadas, ou tenho estado demasiado distraída??? É que não encontro muitos colegas que não adoptem aulas que não sejam expositivas…
Eu gosto do equilíbrio. E não gosto da dormência.

8. Não bastará exigir o 9.º ano ou o 12.º ano para poder ingressar em certas profissões. De ora avante, passará a ser exigida uma média mínima. Por exemplo, para ser admitido no sector terciário (escritório, secretaria, banco, finanças, tribunal) será exigida uma média de 14 valores no ensino secundário.

Creio que o actual sistema educativo estará já a tratar disso…valores é coisa que não nos faltará.

9. Exames nacionais em todas as mudanças de ciclo: 4.ª classe, 6.º ano, 9.º ano, 12.º ano.

Embora deteste as “vigilâncias” de exames nacionais não me oponho (falta saber das características desses exames)…mudanças de ciclo sempre devem exigir uma correspondência por parte de quem se propõe iniciar um novo ciclo.

10. Sempre que um aluno revele atitudes de indisciplina na sala de aula, o director de turma fará uma participação ao Encarregado de Educação, o qual será obrigado a pagar à escola uma multa de 10 euros, por danos morais. O dinheiro será utilizado para a compra de material escolar. Quando a indisciplina dos alunos começar a doer nos bolsos dos pais estes ir-se-ão finalmente lembrar que a educação começa em casa e não na escola.

José Ricardo, se a Educação começa na Escola e não em casa é como a questão do ovo e da galinha…Na Escola eu não educo filhos e sim alunos. Em casa não educo uma aluna e sim uma filha.
Pena que a tua proposta só sirva para os alunos que podem dispor de 10 euros cada vez que são indisciplinados. Talvez a “cofidis” abra uma nova linha de crédito. É que temos efectivamente alunos revoltados que quase não vêem a mãe porque trabalha à noite nas limpezas do Hospital, ou na fábrica das carnes, ou numa treta qualquer de emprego que por meia hora não lhe dá o direito ao salário mínimo nacional e lhe dê 300 euros para levar para casa. (este é um exemplo)

Também temos aqueles que estão tão habituados a achar que os professores são uns trastes e não se importam nada de pagar 10 euros só para terem o gozo de insultar um prof. de vez em quando, em vez de os gastar na actualização da sua Wii.
Talvez um dia a Wii faça uma simulação aos possíveis insultos e assim desapareciam a indisciplina na Escola e teríamos uma nova oportunidade de mercado.

11. Os alunos que não revelem qualquer tipo de empenho relativamente ao seu percurso escolar serão obrigados a abandonar a escola visto tornar-se um percurso absolutamente inútil. Tal não significa, porém, que a escola abandone o aluno. Este terá oportunidade de ingressar no mercado de trabalho onde irá ter a possibilidade de manifestar as suas capacidades, sendo acompanhado por um técnico de assistência social que fará a ligação entre a escola e a empresa.

E esse técnico faria o quê exactamente nessa ligação?

12. Os professores serão obrigados, ciclicamente, a regressar a um estabelecimento do ensino superior, a fim de actualizar permanentemente a sua formação científica e não perderem rotinas intelectuais consideradas fundamentais na sua profissão. A formação de um professor é fundamentalmente científica e os professores jamais deverão esquecer tal ideia.

Apoiado!!! Já agora facilitem lá um pouquinho e voltem as sabáticas e equiparações, dava-me um jeitão!

------------------------------------xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx-------------------------------------


Mas José Ricardo, convenhamos, estou convicta que és capaz de ser melhor que a actual Ministra (acho que ela adoraria as tuas propostas).


quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Cá fora: arquitectura desassossegada - Bienal de Veneza

Foto: Manuel Henriques

25 Fevereiro de 2009



“(…) Parece-me que toda a minha criação é um esforço para tecer uma teia de relações com o mundo:
Teço-a continuamente, porque uma vez ela foi rasgada. Mas como desejo que as teias sejam sempre verdadeiras, não sei como romper as que são falsas.
(…) Sinto, como Dostoievski, que o intelecto está na origem de tudo o que não é. Das falsidades. Prefiro a zona das paixões, mesmo com as tempestades. (…)”

Anais Nin – Diário, Vol. III


(texto utilizado em 1992 na minha primeira exposição colectiva na Galeria Maria Lamas em Torres Novas)

domingo, fevereiro 22, 2009

concerto improvisado

Pierre Gonnord

EVA
"(...) talvez Gonnord tenha um dia lido uma frase de Walter Benjamim: «O rosto é o último reduto da aura" Delfim Sardo Expresso Revista Única 01/11/2008















Comunicación cultural: "En ningún momento cae en la tentación clasificatoria que suele dominar en el campo del retrato fotográfico, por el contrario resalta la esencia individual y la historia que habita en los rostros. Los sujetos de sus imágenes se construyen en sí mismos, no remiten a otro lugar que a su propio ser, por eso puede decirse que sus imágenes nos obligan a contemplar y reconocer en cada caso a otro ser humano, testigo y narrador de su propia existencia. "

sábado, fevereiro 21, 2009

CRIAR



a negação é tanta, a confiança tão prosaica...que desde que me propus ao processo de avaliação resolvi fazer o que queria e acredito...ainda!

apesar do align="justify"

apesar de ser contra este modelo de avaliação, como o era também no modelo anterior, entendi que o ser a favor de uma avaliação profissional prevalecia.




Por isso fiz greve,



por isso manifestei a minha solidariedade,



por isso observei.



propus-me ser avaliada no que faço e no que não faço!



no que sou e no que não sou!



e, dentro das regras impostas, hei-de procurar sempre sugerir a criação de "pontes"...porque antes das regras impostas agora, estavam outras regras impostas outrora, o segredo é talvez ainda acreditar que se cria, sempre.



Vicente Zatti

incluído no site em 18/09/2005



"A vontade de poder leva à transvaloração dos valores, ou seja, criação dos valores"



"Larrosa coloca esse papel criativo como a arte de fazer com que cada um torne-se a si, desenvolva suas potencialidades. “Chega a ser o que és! Talvez a arte da educação não seja outrora senão a arte de fazer com que cada um torne-se em si mesmo, até sua própria altura, até o melhor de suas possibilidades. Algo, naturalmente, que não se pode fazer de modo técnico nem de modo massificado”.



[p.49 LARROSA, Jorge. Nietzsche & a Educação. Trad. Alfredo Veiga-Neto. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. ]



(Alfredo Veiga-Neto esteve na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa com Thomas S. Popkewitz em 2008 - creio ter citado neste blog a conferência - realizada em 1 de Fev. 2008, com o tema "Crise da modernidade e inovações curriculares: da disciplina para o controle")




"O pensamento de Nietzsche é também para a educação uma provocação, por lançar suspeita nos fundamentos pedagógicos e um alerta, já que os sistemas de idéias não são neutros, são expressão de vontade de poder.
Por fim, abre espaço para pluralidade e aceitação das diferenças. Não há aluno ideal, nem todos se enquadram no modelo escolar moderno. Por isso temos que trabalhar com os alunos reais, aceitando as diferenças, o que abre espaço na escola para alunos que antes eram excluídos do processo educativo. Incluir sem negar as diferenças para que cada um possa tornar-se a si mesmo, é o desafio. "




Danilo Bilate – Doutorando e Mestre em Filosofia pelo PPGF/UFRJ


“O homem é uma corda estendida entre o animal e o além-do-homem – uma corda
sobre um abismo. É o perigo de transpô- lo, o perigo de estar a caminho, o perigo de
olhar para trás, o perigo de tremer e parar.O que há de grande, no homem, é ser
ponte, e não meta: (...) é ser ele uma transição e um ocaso”

Nietzsche, 1998, p.38).

Heidegger vale-se da imagem da ponte para mostrar que somos criaturas que
podem construir pontes porque podemos vivenciar o espaço aberto, as distâncias e,
sobretudo os abismos."


HEIDEGGER, Martin (2002), Ensaios e Conferências. Tradução de Emmanuel Carneiro
Leão. Petrópolis, Vozes.
“Amo aquele que quer criar para além de si e, deste modo, perece”. Nietzsche em Assim Falou Zaratustra.


Nietzsche (1998), Assim Falou Zaratustra: um livro para todos e pra ninguém. Tradução
de Mário da Silva. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira









"O afã e a sutileza, quase diria: a astúcia, com que em toda parte da Europa é hoje
abordado o problema ‘do mundo real e do mundo aparente’, leva a pensar e a
espreitar; e quem aqui nada ouve no fundo, a não ser uma ‘vontade de verdade’,
certamente não goza da melhor audição. [...] Uma ambição metafísica de manter
um posto perdido, que afinal preferirá sempre um punhado de ‘certeza’ a toda uma
carroça de belas possibilidades; talvez haja inclusive fanáticos puritanos da
consciência, que prefiram um nada seguro a um algo incerto para deitar e morrer.
Mas isto é niilismo e sinal de uma alma em desespero, mortalmente cansada, por
mais que pareçam valentes os gestos de tal virtude."
"Além do bem e do mal"

"A partir dessa posição de combate à tradição metafísica, Nietzsche defende uma
aceitação, por parte do homem, de seu lugar de criador. Aceitação que não pode ser
confundida, sob quaisquer hipóteses, com uma resignação triste. Essa aceitação alegre e
apaixonada é a justificação estética da existência. O homem está condenado a produzir
sentido. Nietzsche, no entanto, ri dessa condenação, se alegra e se orgulha desse lugar
ao que o homem é condenado. Por quê? Porque ama ser artista. E com esse amor, amor
fati, ama a vida como ela é:


“Como fenômeno estético a existência ainda nos é suportável, e por meio da arte
nos são dados olhos e mãos e, sobretudo, boa consciência, para poder fazer de nós
mesmos um tal fenômeno. Ocasionalmente precisamos descansar de nós mesmos,
olhando-nos de cima e de longe e, de uma artística distância, rindo de nós ou
chorando por nós; precisamos descobrir o herói e também o tolo que há em nossa
paixão do conhecimento, precisamos nos alegrar com a nossa estupidez de vez em
quando, para poder continuar nos alegrando com a nossa sabedoria!”
(Nietzsche, F. Gaia ciência, p.107.)




NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. Trad. de Paulo César de Souza. São Paulo:
Companhia das Letras, 2001.

NIETZSCHE, Friedrich. Além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro. Trad. de Paulo César
de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

eu...um dia

Artur Ramos (92x70)





diários de viagem


“Este livro é dedicado aos desenhadores obsessivos, sejam viajantes ou não, aos obsecados pelo desenho, desenhem ou não, aos que tentam incutir noutros o desejo de desenhar, consigam ou não, aos que tentam eles próprios ter esse desejo, tenham ou não sucesso.” /


Eduardo Salavisa pertence ainda à Direcção da APECV (associação de professores de expressão e comunicação Visual)



É desta forma que somos convidados por Eduardo Salavisa, autor do livro “Diários de Viagem”, a embarcar nos “Cadernos de Esboços”, “Cadernos de Campo” ou “Diários Gráficos” de 35 autores contemporâneos e a passear pelos seus mundos privados, pulsantes de vida e espontaneidade. Este grupo inclui Frida Kahlo, Le Corbusier, Pablo Picasso, o próprio Eduardo Salavisa e os ilustradores científicos Pedro Fernandes e Pedro Salgado, entre outros. A edição é da “Quimera”. Boa viagem! / With those words we are invited by the author, Eduardo Salavisa, to embark inside the Sketchbooks of 35 contemporary authors and take part in a journey through their private, full of life and spontaneous worlds. The group include Frida Kahlo, Le Corbusier, Pablo Picasso, Eduardo Salavisa himself and science illustrators Pedro Fernandes and Pedro Salgado, among others. Edition by “Quimera”.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

dar de comer aos peixes

3

"Certa vez, alguém perguntou a Ben Harper, um famoso músico americano:
-Ouvimos dizer que você tem um novo baterista na banda. Diga-me uma coisa: ele é negro?
E Harper respondeu:
- Não sei, nunca lhe perguntei."



quinta-feira, fevereiro 19, 2009

on the road











(...)
"Jean Arthur Rimbaud no séc XIX e Jim Morrison no séc XX, entre outras almas solitárias e radicais, chegaram na beira do abismo e resolveram experimentar que gosto tinha o pulo.
Pagaram caro, a ousadia de queimar em pouco tempo todos os cartuchos. Algumas coincidências, nestes percursos, são fascinantes. Anjos caídos de um inferno particular apontaram para o futuro e tocaram (sem a mínima cerimônia) os atalhos do absoluto.





Wallace Fowlie é atualmente um homem de muita idade. Nascido em 1918 é professor Emérito de Literatura Francesa da cátedra James.B. Duke da Duke University. É autor e tradutor de mais de trinta livros, dentre eles a Obra Completa de Rimbaud vertida para o inglês. Um erudito especializado em Proust, Claudel, Stendhal, Dante etc, e que nunca tinha tido sequer a curiosidade de escutar um disco de Rock'N'Roll até que recebeu uma carta curta que o deixou um tanto surpreendido: "Caro Wallace Fowlie, simplesmente queria agradecer-lhe pela tradução de Rimbaud. Eu precisava porque não leio francês tão facilmente(...) Sou cantor de Rock e seu livro me acompanha nas turnês. Jim Morrison".

No dia seguinte perguntou a seus alunos se alguém ali conhecia este cantor, para ele totalmente anônimo. A turma ficou muda e perplexa com tamanha ignorância. Ele então resolveu checar e arrumou os discos do The Doors para conferir. O fascínio com o radicalismo das letras de Morrison e a idolatria de seus alunos o transformaram em um inesperado admirador e daí em diante um estudioso de mais um poeta, mais um outsider que ao invés de ficar restrito aos livros e ao público leitor de poesia era um popstar de primeira grandeza, um ídolo de multidões ensandecidas que sonhava em ter sua obra literária reconhecida e que assim como Rimbaud dentro de muito pouco tempo ia chegar em um beco sem saída e pular fora (drop out) de tudo.





"O poeta torna-se vidente através de um longo desregramento de todos os sentidos".




Isto parece saído da boca de Morrison, mas foi escrito por Rimbaud quase um século antes e estas afinidades estão bem claras no livro lançado agora aqui no Brasil chamado Rimbaud e Jim Morrison, de Wallace Fowlie (Ed Campus -2004), onde o autor faz um paralelo bastante interessante e instigante sobre as coincidências de vida e obra destes dois radicais do espírito.








Bem didático e, claro, não traz muitas novidades para quem está acostumado com as duas obras, mas serve como excelente introdução para vôos maiores.





Jean-Nicolas Arthur Rimbaud nasceu a 20 de outubro de 1854 em Charleville França e entre os quinze e dezenove anos (quando abandonou a literatura) escreveu uma obra fascinante e revolucionaria, que flertou com todos os abismos possíveis e imagináveis.








Precursor do modernismo, surrealismo e influenciador de multidões de escritores posteriores, é hoje o poeta francês mais lido em todo o mundo. Após esta juventude regada a absinto, loucuras variadas, um escandaloso e rumoroso caso com o laureado poeta Verlaine e de freqüentar a nata da intelectualidade Parisiense, resolve abandonar tudo e se isola na África, onde se transforma em traficante de armas e passa a viver de expedientes diversos. Em 10 de novembro de 1891 morre em Marselha em decorrência de um câncer, inteiramente desligado do cenário poético do seu tempo.





Henry Miller, mais um destes loucos radicais de seu tempo, também lhe dedicou um pequeno, mas excelente livro - A Hora dos Assassinos - um estudo sobre Rimbaud (L&PM -2004), onde faz um apanhado de sua experiência pessoal à bordo das viagens do enfant terrible do nomadismo da alma. "E dizer que foi um mero garoto que abalou os ouvidos do mundo! A aparição de Rimbaud sobre a terra não tem qualquer coisa de simplesmente milagrosa, como o despertar de Gautama ou a aceitação da cruz por Cristo ou a incrível libertação de Joana DArc? Interprete-se a sua obra como se preferir, explique-se a sua vida como se quiser, a verdade é que não há como lhe reduzir a importância. O futuro, mesmo que não exista, lhe pertence".





Pois Jim Morrison, a exemplo de Rimbaud, também é uma lenda maior do que si mesmo e foi leitor voraz de toda sua obra, assim como desta pequena jóia escrita por Henry Miller. Como não imaginar o fascínio que o radicalismo e principalmente o exílio de Rimbaud traziam a Morrison? Muitos de seus fãs mais exaltados crêem com convicção que o Rei Lagarto ainda está vivo em alguma África distante livre do desespero da disponibilidade de se pôr à beira do abismo, dos transtornos da criatividade e do desregramento de todos os sentidos. As portas da percepção quando abertas podem se tornar insuportáveis e os analgésicos para isto podem incluir as drogas ou simplesmente o abandono, seja dos atalhos escritos e descritos ou mesmo da vida, do inferno em que se meteu.





Como diz Fowlie: "Rimbaud usou a palavra inferno em sentido Teológico. Ele só queria passar uma temporada ali, porque sabia que no inferno não se tem energia para nenhuma mudança positiva. Jim Morrison entenderia o significado da palavra inferno, muito embora não a tenha usado. Ele foi um exemplo deste dom de mudança que os jovens possuem. E possuem também um olhar mais aguçado do que o dos mais velhos para o que se encontra apodrecido na sociedade e, por isso, sentem a urgência de purifica-la atacando a chaga da apatia, que impede as mudanças e o desenvolvimento de uma personalidade mais sã".





Conheci o The Doors no final dos anos 70, época em que estavam praticamente esquecidos. Era relativamente pouco comum encontrar um disco deles e mais raro ainda quem gostasse. Fiquei bastante impressionado, mas entendi muito pouco o que aquilo tudo representava. Era mais uma banda de rock onde o cantor havia morrido de overdose e só. Com o passar do tempo e os interesses se modificando, me caiu nas mãos uma tradução de Uma temporada no Inferno, Iluminações e do Barco Bêbado de Rimbaud. O impacto destas leituras foi imediato e aquelas imagens um tanto desconexas e dilaceradas foram ficando como se fossem uma tatuagem interna. O fascínio de saber que aquilo tudo tinha sido produzido por um moleque um pouco mais novo do que eu e que havia abandonado tudo me intrigava como me fascina até hoje.





Os anos 80 foram pródigos para o culto ao mito Jim Morrison. O renascimento da literatura beat, a inclusão na trilha sonora do Apocalipse Now de Coppola e a regravação de suas músicas por ídolos da época como Billy Idol e Echo & The Bunnymen foram como um rastilho de pólvora e um fósforo. Ao perceber as influências de Niezstche, Huxley, Blake, etc, e principalmente ao conhecer seus poemas no disco póstumo An American Prayer me tornei um fã exaltado. Em pouco tempo estavam disponíveis e relançados todos seus discos e inúmeros livros, biografias e a tradução de seus poemas. O filme de Oliver Stone só fez expandir esta idolatria pelos quatro cantos do mundo. As romarias a seu túmulo no Pere-Lachaise demonstram isso. Seus discos vendem bastante ainda. Jim Morrison e suas calças de couro se transformaram em um ícone da rebeldia juvenil, assim como os pôsteres de Lennon, Guevara, James Dean e Marilyn Monroe. Uma bela estampa para camiseta. Vejam só a ironia terrível do destino. O cordeiro que se imolou em busca do mel escondido atrás do arco íris, que se jogou de frente contra todos os mercantilismos, se tornou depois de morto uma mercadoria altamente rentável.

(...)
Rimbaud foi para Morrison uma imagem, uma meta recorrente, talvez Paris tenha sido a sua África, um porto distante, o preparo para um salto que o faria sair da obra e cair na vida. Parece que não deu tempo.

"O tédio não é mais meu amor. O furor, a devassidão, a loucura, dos que conheço todos os impulsos e calamidades - Todo meu fardo foi arriado. Apreciemos sem vertigens a extensão de minha inocência".Rimbaud

"Já não temos dançarinos, os possessos.
A clivagem dos homens em atores e espectadores
É o fato crucial do nosso tempo. Obcecam-nos
Heróis que por nós vivem e nós punimos.
Ah! Se todas as rádios e televisões fossem Desligadas, e todos os livros e quadros
Queimados já, todas as salas de espetáculos encerradas...
Essas artes de viver por procuração...
Contentamo-nos com a oferta, na nossa procura de
Sensações.
Deu-se a metamorfose do corpo enlouquecido
Pela dança nas colinas num par de olhos
Rasgando a treva."
Jim Morrison

Para nós o que sobra? Algumas trilhas e um par de enigmas. Quantos caminhos nos levam para a África de cada um ou para o frio de amanhecer dentro de uma banheira em Paris?
Se a "punição" é seguir em frente, alguns abandonaram, pela intensidade, no meio. Queimaram rápido demais e as cinzas continuam no ar. Apontando onde seguir.
Como já disse, os ardores do futuro antevisto são para loucos, poucos e porque não... raros.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

em primeiro lugar sento-me

“Ao perguntarem a Picasso qual o seu método de trabalho ele respondeu
-Em primeiro lugar sento-me
e quando se espantaram
- Não sabia que você pintava sentado
Picasso explicou
- Não, não, eu pinto em pé.
É mais ou menos nessa situação que eu me encontro agora (…)”


(António Lobo Antunes, 2006, p.39)

visitas





exGramático






"as palavras são frágeis,


esticar uma palavra para além do seu limite,


é armar as suas antíteses como ricochete."


________________________________________________________________________

(aquele colega que nem deu pela minha existência)




_______________________________________________________________________________


e



uma visita que se a p a g o u

mas que ainda lá me leva




"grande vidro"
Marcel Duchamp

Yerka - ilustração "surrealista"


My Mokotowska Street

Tower of Subconciousness






Marlene Dumas

David Beckham

Júlio Resende
faz tarde
a espera
o palácio dos loucos
e até na loucura nos tornámos semelhantes
o canto da luz, mas o mar está tão longe...
-é pôr sal nas feridas e criar fogo líquido...ou não.
entretanto o sol.
-pois!

...a sequência do vídeo:



por Philipe Scott Jahnson
Portraits in Western Art Music:
Bach's Sarabande from Suite for Solo Cello No. 1 in G Major

mulheres retratadas por artistas diversos ao longo de 4 séculos

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

hoje

Faz-me o favor...
Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor -- muito melhor!--
Do que tu.
Não digas nada.
Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.

Mário Cesariny

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

sexta feira 13


A luz trocada em olhos que ficaram
subitamente cegos, e depois as palavras,
cautelosas, dizendo a seda
dos corpos sós. O desejo
foi polindo em silêncio
um fruto em busca da sua maturação.
A teu lado me deito e bebo a água
que tu me abres
e onde me perco e ardo e tudo.
Aqui tens o meu corpo cheio de mundo.
Amar-te é viagem que não se acaba
e contigo vou, para o alto
e para o fundo.

Casimiro de Brito
69 Poemas de Amor
4Águas Editora, Tavira 2008

domingo, fevereiro 08, 2009

segunda-feira, janeiro 26, 2009

citação

"Se fazes és, se não fazes serias"

Agostinho da Silva

quarta-feira, janeiro 21, 2009

do incómodo dos outros

É Inverno,
Lecciono aulas de Artes (Desenho e Oficina de Artes) em salas despropositadamente geladas.
Os alunos e alunas são obrigados a suportar temperaturas que lhes impossibilitam o razoável aproveitamento do tempo escolar. Compreendo que os colegas e as colegas que utilizam as salas do edifício (velho e novo) da Escola, não tenham a compreensão do “outro” que lecciona nas velhas oficinas da Escola Maria Lamas.

As salas são feias, não possuem equipamento informático, são decoradas com um mobiliário sem qualquer tipo de utilidade, os trabalhos acumulam-se nas arrecadações exíguas…

Em inicio de ano lectivo, sempre que o tempo o permite e em concordância com os alunos e alunas, disponibilizo-me para dar aulas no espaço exterior, muitas vezes mais suportável em termos de temperatura do que o interior das salas que nos calha ocupar desde sempre.

Já apanhei pneumonias na sala destinada ao ensino da cerâmica, já suportei ver alunas e alunas, nos tempos lectivos, completamente encolhidos nos casacos sem, obviamente disponibilizarem as mãos para a realização dos trabalhos.

Como a massa adiposa não me emoldura os ossos, também eu me encolho perante o frio, mas como tenho trabalho para desenvolver procuro outras salas, normalmente indisponíveis, procuro a biblioteca, procuro o espaço do bar…procuro algum conforto para o trabalho dos meus alunos e alunas e para mim própria.

Acredito que muitos colegas aceitassem trabalhar manhãs e tardes e dias inteiros nas salas oficinais, mas eu não aceito!

Ao fim de 17 anos de ensino que pertenço a esta Escola e de, no meu passado aqui, ter referindo, explicando, replicando, procurando fazer entender que as salas não têm condições dignas de trabalho, criado projectos para o melhor aproveitamento, equipamento e dignificação das salas, recuso-me, sempre com a aprovação dos meus alunos, a ocupar o tempo que estamos juntos em salas tão pouco dignas da especificidade que ocupam no contexto escolar (salas de ARTES).

Acredito também que o ensino das Artes não se configura ao espaço interior de uma sala, por isso, desde que o trabalho se concretize, procuro sempre diferenciar, procurar locais de possível debate e criação de ideias.

O Bar é um local onde os meus alunos e alunas são vistos em aula. Nem sempre é interessante (para alguns) verificar que os alunos e alunas de Artes estão a trabalhar de forma autónoma e reflexiva num espaço destinado ao convívio. Na verdade, a observação diferenciada de grupos, pessoas e locais é de relevante importância no ensino das ARTES, assim como a resolução de problemas. Assim, professora e alunos e alunas, temos procurado ser intervenientes, mesmo que o mesmo seja observado de forma inconveniente. Sempre trabalhei deste jeito, meio livre, mas que acredito, profundamente responsabilizante.

Sempre consegui incutir o sentido de estar em aula, mesmo fora da sala de aula – porque a sala de aula não oferece a dignidade mínima para nos sujeitarmos ao congelamento gradual em vez de intervirmos, de forma responsável, num outro local. Tenho orgulho das discussões e reflexões que, perante as dificuldades oferecidas, são suscitadas e não verifico qualquer tipo de alheamento ou irresponsabilidade por parte dos meus alunos, pelo contrário, co-responsabilizam-se na adequação dos objectivos do projecto educacional aos novos espaços encontrados.

Como as minhas intervenções de chamada de atenção ao facto da inexistência de condições nas salas que nos são oferecidas, em nada afectam o sentir e o estar do restante corpo docente, apesar de as Artes serem consideradas, na minha escola, uma área vocacional de oferta de qualidade, tenho-me disponibilizado por criar alternativas, dentro e fora do espaço escolar (tendo autorização dos Encarregados de Educação para o efeito).

A Educação Artística é, na essência, isso mesmo, observar, intervir criticamente, tirar conclusões e, por vezes até, incomodar as mentes mais acomodadas, talvez por isso seja tão mal compreendida. Talvez isso faça sobressair a ilitracia visual e cultural de alguém. Talvez seja só porque, numa cultura avaliativa que temos de penalização, seja difícil ver para além da ortodoxia e perceber que muito se faz, muito se aprende, muita é a Escola que os alunos e alunas levam para casa quando não é confinada à sobrevivência ou conveniência, mas sim à resistência e ao exercício de uma liberdade responsabilizante.

E com isso faz toda a diferença!!!
(por isso incomoda)
em vinte anos de ensino já tenho a oportunidade do feed-back dos meus alunos e alunas, quanto ao modo como tenho "vivido" a Escola, até hoje, tive sempre a oportunidade de ouvir à posteriori que, de algum modo, fiz a diferença. Essa tem sido a minha melhor gratificação como professora de Artes. Quando um aluno ou aluna me disser, "professora, ficamos a congelar na sala porque é mais conveniente" ficarei triste, preocupada e entederei que não faço, de todo mais sentido. Até lá, vejam-me no BAR, vejam-me como sou, vejam-me como quiserem, porque não me escondo,
e
porque também gosto de estar e trabalhar e disponibilizar aos meus alunos e alunas, condições mais cómodas, mesmo que incómodas, de trabalho.
e um pouco mais temperadas...por muitos arrepios que isso possa causar.
ter um pouco de Cultura é mesmo assim e seria tão mais fácil ser de outro jeito - Assim mais para o congelado.
bem hajam.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Eduardo Galeano a descoberto "profisssão:criador de perguntas"

"todos nós estamos habitados"



Richard Serra - video com entrevista


"ao olhar um tijolo pergunto-lhe o que ele quer ser" citando o arquitecto Louis Kahn


"escultor minimalista Norte-Americano Richard Serra - reconhecido pela sua arte gigantesca em metal, sobretudo aço - dedicou, na sua mais recente exposição na Gagosian Gallery em Londres, uma escultura a Fernando Pessoa (Em cima, o autor junto à referida escultura. Clicar para ver em alta resolução). Trata-se de uma "parede" de aço resistente a água, com 9 metros de comprimento por 3 de altura.

Clicar aqui para ver a exposição online (a escultura "Fernando Pessoa" é a n.º 3).

Ler aqui uma entrevista ao autor sobre esta exposição, onde é explicado (tangencialmente) o porquê desta escultura levar o nome do poeta. Mais fotos neste blog."


Retirado daqui

em serralves Juan Muñoz

de que ri
Juan Muñoz
?






de ti.de.mim.de nós
!!!
uma força sorriso
eu gosto

...
há machados que não aceitam um final feliz
...

a capa e a contra capa e o recheio






valerie hammond




Untitled Dress No. 1 ed. 8
52 x 30 in. Relief printed lithograph, thread and paper

The Game - vicent van gogh



uma espécie de art ataque de Van Gogh e Bach!

ao

ai

Explore.Learn.Create

e
e

sábado, janeiro 03, 2009



after Mozart