sexta-feira, abril 27, 2007

Doce verdi e de todas as cores

pequenos nadas

Frances Macdonald Macnair

Sete luas


Há noites que são feitas dos meus braços

e um silêncio comum às violetas

e há sete luas que são sete traços

de sete noites que nunca foram feitas



Há noites que levamos à cintura

como um cinto de grandes borboletas.

E um risco a sangue na nossa carne escura

duma espada à bainha de um cometa.



Há noites que nos deixam para trás

enrolados no nosso desencanto

e cisnes brancos que só são iguais

à mais longínqua onda de seu canto.



Há noites que nos levam para onde

o fantasma de nós fica mais perto:

e é sempre a nossa voz que nos responde

e só o nosso nome estava certo.


Natália Correia



em "Pequenos Nadas" com música


e muito +

sózinho

...gente bonita fala bonito, dança bonito, canta bonito, gosta bonito...mesmo sózinho e aqui.

quinta-feira, abril 26, 2007

fotomomento

Obrigado Luis Garção Nunes. Pela visita. Aproveitei e viajei pelo fotomomento.
A música é linda, as fotos também, os títulos também.

quarta-feira, abril 25, 2007

Fantástico o nosso Zeca


aqui
aqui
aqui

Em Galiza, na homenagem a Zeca Afonso, todos bailaram...
assim é
A Festa!

Hoje a Brigada Vitor Jara

Eles estiveram aqui!
Trouxeram a música de um Portugal em festa a uma plateia sem grande VIDA talvez, mas concerteza ainda com alguma réstia de fascínio pelo que melhor transcreve este dia: A música, a poesia, a homenagem aos que não quiseram nada e fizeram tudo!

As palavras sólidas e fascinantes do apresentador, melhor e mais belo que qualquer discurso político, tão ousado quanto significativo, tão a propósito a dar lugar à esperança.
Caramba! Já esquecemos o quanto é precioso ter voz?!!!

Hoje é 25 de Abril e...
cantei e dancei...como me recordásse quem já fui...um dia.
Ó brigada Vitor Jara.

galeria de arte

Rita Assis



"Esta é a madrugada que eu esperava


o dia inicial inteiro e limpo


onde emergimos da noite e do silêncio


e livre habitamos a substância do tempo"

Sophia M.B. Andresen
sms enviado pela magia da Rita Assis,
a bailarina que me ensinou a dançar na cidade
onde o movimento se estanca
para quem ainda faz
do espanto
um refúgio.
Beijos e laços Rita...
pelas ondulações dos corpos que teimas em fazer acordar
como mares finalmente
desassossegados
...coisa linda...coisa boa...
nunca deixes que se apague a luz,
ainda menos que te calem
a música.
Dança Rita, dança!
Grita!
RITA!
...saudades da paz que oferecias
Graça Martins

25 ABRIL


Isto vai meus amigos isto vai

um passo atrás são sempre dois em frente

e um povo verdadeiro não se trai

não quer gente mais gente que outra gente

Isto vai meus amigos isto vai

o que é preciso é ter sempre presente

que o presente é um tempo que se vai

e o futuro é o tempo resistente

Depois da tempestade há a bonança

que é verde como a cor que tem a esperança

quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança

se fizermos de Maio a nossa lança

isto vai meus amigos isto vai.

Agora eu:
Dia de Abril - 25.
Em 1974 a humanidade escreve a flores - cravos vermelhos,
e música de esperança,
a história mais bela de uma revolução.
Foi aqui!
Em Portugal.
É aqui
e hoje e a cada instante que se deve trocar o medo
pela
LIBERDADE!
A cobardia
pela dignidade.
Parabéns aos que ainda acreditam.
"Beijos encarnados, aroma de cravos"

terça-feira, abril 24, 2007

silêncio

...

"Poema pouco original do medo"


"O medo vai ter tudo
pernas

ambulâncias
e o luxo blindado

de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém o veja

mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes

ouvidos não só nas paredes

mas também no chão

no tetono murmúrio dos esgoto

se talvez até (cautela!)

ouvidos nos teus ouvidos


O medo vai ter tudo

fantasmas na ópera

sessões contínuas de espiritismo

milagres

cortejos

frases corajosas

meninas exemplares

seguras casas de penhor

maliciosas casas de passe

conferências várias

congressos muitos

ótimos empregos

poemas originais

e poemas como este

projetos altamente porcos

heróis(o medo vai ter heróis!)

costureiras reais e irreais

operários (assim assim)

escriturários (muitos)

intelectuais (o que se sabe)

a tua voz talvez

talvez a minha

com a certeza
a deles

Vai ter capitais

países

suspeitas como toda a gente

muitíssimos amigos

beijos

namorados esverdeados

amantes silenciosos

ardentes

e angustiados


Ah o medo vai ter tudo

tudo

(Penso no que o medo vai ter

e tenho medo

que é justamente

o que o medo quer)

O medo vai ter tudo

quase tudo

e cada um por seu caminho

havemos todos de chegar

quase todos

a ratos"

Alexandre O'Neill

Festival de Cinema Independente de Lisboa


A quarta edição do Festival de Cinema Independente de Lisboacomeça hoje. Até 29 de Abril vão passar por Lisboa 226 filmes, vindos de quatro continentes: Europa, Ásia, África e América. Estreias mundiais (19) e europeias (10), filmes-concerto, masterclasses, painéis e mesas redondas são apenas alguns dos muitos atractivos desta edição, que se distribui pelo Fórum Lisboa e pelos cinemas São Jorge, Londres e King. (do programa)



100

verão zero zero sete

na divina desordem:
verão zero zero sete


McCoy Line, de Malcolm McCoy: Ignorance Is Bliss T-Shirt, 2007.
vale a pena visitar Eduardo Brito

sais de prata

blog SobreTudo

Sais de prata para revelar...

Daniel Blaufuks


"Sob céus estranhos" Ed. Tinta da China


Hoje pelas 18h30mn na Fnac do Chiado, e às 22 h na galeria Vera Cortês, será lançado o livro e o dvd "Sob Céus Estranhos" de Daniel Blaufuks.

«Quis desmistificar a ideia do regime de Salazar como anjo da guarda»
Por Luis Miranda
A propósito do livro e DVD Sob Céus Estranhos, o fotógrafo Daniel Blaufuks falou ao SOL da sua obra e dos judeus exilados em Lisboa
Vale a pena ler...



"sob céus estranhos
under strange skies
During the Second World War, Lisbon, like Casablanca, was a corridor for refugees going from Hitler's occupied territories to America. This film tells two parallel stories about exile and accommodation. Through a narrated memoir and photographs, the tale of a German Jewish family that decided to stay in Portugal is recounted. The larger, more sociological account of artists who used Lisbon's escape route is skilfully told as well, using beautifully shot historic footage and written memoirs by some of the era's leading intellectuals including Heinrich Mann (The Blue Angel) and Alfred Doeblin (Berlin Alexanderplatz). This film evokes a desperate, intenselyromantic period of exile, despair and, ultimately, freedom.(Marc Glassman, Hot Docs, Toronto)


narrated by Bruno Ganz, 57 min., digital, color, 2002


prod.:
LX Filmes, Lisboa"




"Morre lentamente


Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.Morre lentamente..."


Pablo Neruda aqui
também na Divina Desordem

domingo, abril 22, 2007

"A bigger splash" de José Eduardo Agualusa

"(...) O silêncio, um súbito splash, o silêncio de novo. Eu ainda não mergulhei de vez, penso, estou suspenso no ar. Aquele é o meu retrato amanhã. Um pouco de água em convulsão e o peso puro do mistério no instante seguinte."

"(...) O melhor da vida é podermos sempre mudar de vida."

Andar na lua

Temos, todos que vivemos,
uma vida que é vivida e outra vida que é pensada,
e a única vida que temos
é essa que é dividida
entre a verdadeira e a errada.
(Fernando Pessoa)

quarta-feira, abril 18, 2007

o weblog da comunidade artística

da Judit para a Rede Ibérica de Educação artística


"Les xarxes i connexions que les dones han anat configurant per transmetre els coneixements de generació en generació han estat sempre silenciades, no representades. Patrons femenins parla d’autorepresentacions col·lectives, de topografies del cos, d’arbres genealògics de dones que han format part de la meva família i que, per tant, són també una part de mi, i jo d’elles: em representen, per tot allò que m’han transmès. Però aquesta autorepresentació també parla del cos de la dona, del meu cos: de figures amb paper d’empaperar parets (que formen part de la nostra memòria oblidada, la casa) que representen parts del meu cos, dos triangles-pits, una flor-vagina, i unes ales com a metàfora de la llibertat i la visibilitat. Patrons femenins és un intent de retrobar la meva identitat a través de la multiplicitat de persones-dones que m’envolten i formen part de la meva vida. "
Artista, investigadora, professora e uma jovem promissora de novas abordagens para a educação artística, numa participação para a Rede Ibérica de Educação Artística.
Judit Vidiella


http://www.ub.es/ice/formacio/jornades/03-04/cultura-visual.htm

"Me interesa especialmente porque estoy haciendo mi tesis doctoral sobre prácticas de corporización desde los Estudios de Performance, un campo de estudio emergente pero muy potente que si se conecta con los Estudios de Cultura Visual puede tener un campo de acción muy interesante. Rompe con las dicotomías entre teoría y práctica; mente y cuerpo; real y ficción; objeto-sujeto de la representación... Y creo que es muy útil como hemos visto con su ejemplo, no sólo en las matemáticas, sino en la Educación Física por ejemplo, para poder tratar cuestiones de corporalidad, roles de género, etc. a través de talleres "drag" o ejercicios con objetos y música... y también en la Educación Visual y Plástica... y creo que en todo lo que nos propongamos!
Para las personas que les pueda interesar, no se si están al corriente que del 8 al 17 de Junio, en Buenos Aires, se celebra el 6º Encuentro internacional organizado por el Instituto Hemisférico de Performance bajo el título "Corpolíticas" http://hemi.nyu.edu/esp/seminar/2007/index.html Su trabajo es sumamente interesante por como conciben la relación entre productores teóricos y artísticos, sin una separación, así como su apertura del concepto de performance, ya que no sólo conciben la performance como práctica artística sino desde múltiples campos de pensamiento y acción (antropología, sociología, filosofia, historia, lingüística, pedagogía...). Allí nos veremos a los que se animen a ir.
Un artista performer, y también pedagogo especializado en Educación Artística, Charles Garoian, tiene un trabajo también muy potente de unir su práctica como artista, teórico y docente desde la performance. Su libro "Performing Pedagogy: Toward and Arts of Politics" les puede dar también indicios de cómo realizar un trabajo desde esta línea.
Y en relación a la apertura del concepto de performance en relación a las sociedades occidentales globalizadas, a la alta tecnología (que opera en términos de performance y performatividad), la sociedad del conocimiento, y la teoría de la performatividad de Butler, les puede ser muy útil el libro de Jon McKenzie "Perform or else: from discipline to performance".
Bueno, para cualquier cosa estaré encantada de abrir una línea de reflexión y debate sobre estas cuestiones, y quizás si hay más personas interesadas sería interesante poder abrir una línea de trabajo aquí en Portugal y España, ya que si bien el performance es muy potente en Estados Unidos y muchos países de Latinoamérica (como se ve en el consorcio del HEMI, el Instituto Hemisférico) aquí en Europa, y especialmente en los países no anglos, es todavía un campo casi inexistente.

Judit"

quarta-feira, abril 11, 2007

Risoma




Obrigado Helena!



Pertinente! Fantástico! Imperdível...


complexo, controverso, verso, reverso, fragmento, ingrediente, paradoxo, actual, fractal, factual, facto, fato, vestido (social, cultural, político, artístico).


Muito bom encontrar espaços onde a análise e a crítica ainda encontram encruzilhadas possíveis para o sentido. Isto (a sociedade) começa a ser demasiado fácil (sempre mais do mesmo, até às proximidades da pele).


Contaminem-se! Se faz favor...




um pedacito do muito...





"SENTIDOS (E CIRCUITOS) POLÍTICOS DA ARTE: Afeto, crítica, heterogeneidade e autogestão entre tramas produtivas da cultura (Parte 1) (1) Newton Goto (go to goto – EPA! Curitiba, 16/09/05)




Contextos




O deslocamento da produção artística do campo estritamente específico de suas linguagens para o ambiente ampliado das relações culturais já foi enunciado como sendo uma passagem da arte do campo estético para o político (Cildo Meireles, 1970)(2) : “(...) uma vez que o que se faz hoje tende a estar mais próximo da cultura do que da arte, é necessariamente uma interferência política. Porque se a estética fundamenta a arte, é a política que fundamenta a cultura”.

sábado, março 31, 2007

American Educational Research Association

The American Educational Research Association (AERA), founded in 1916, is concerned with improving the educational process by encouraging scholarly inquiry related to education and evaluation and, by promoting the dissemination and practical application of research results.
AERA is the most prominent international professional organization, with the primary goal of advancing educational research and its practical application. Its 25,000 members are educators; administrators; directors of research; persons working with testing or evaluation in federal, state and local agencies; counselors; evaluators; graduate students; and behavioral scientists.
The broad range of disciplines represented by the membership includes education, psychology, statistics, sociology, history, economics, philosophy, anthropology, and political science.

domingo, março 25, 2007

colonizações da vida pessoal


Curioso...


"O certo é que, ao que parece, vastos espaços de nossas vidas são agora produto direto de nossas decisões e escolhas. Vastos espaços de nossas vidas foram colonizados pela compulsão a decidir. Pode-se - de fato muitos o fazem - chamar esta manobra de politização de nossos comportamentos. Um problema simples se desdobra diante de nós. Se o conflito (seja psíquico ou político) regulava as relações sociais nas quais crescemos, o declínio do conflito, mais que politizar, despolitiza e o homem contemporâneo, escravo de si mesmo, padece de uma estranha dupla enfermidade: doente de autonomia. Doente de responsabilidade. Também foi Richard Sennett que nos advertiu sobre os paradoxos da autoridade e da autonomia. O nome de um dos capítulos de seu maravilhoso livro chamado "A Autoridade", é por si mesmo ilustrativo. A autonomia: uma autoridade sem amor (Senett: 1982)."


por Dr. Estanislao Antelo
Dr. En Humanidades y Artes. Universidad Nacional de Rosario. Argentina. Pedagogo.


SENNETT, Richard (1982) La autoridad. Madrid. Alianza.

coisa estranha a não existência


quantas memórias...?

sábado, março 24, 2007

Museus de Carla Padró

Amiga minha, profunda, consistente, vulnerável, persistente, genial, humana, frágil, forte, militante empenhada por uma nova reconceptualização do terreno museológico mais próximo, mais interveniente na vida cultural das pessoas. O Museu como trajecto e ponte entre o que somos, de onde nos colocamos, desde onde fazemos nossas interpretações, para a criação de estruturas críticas de intervenção cultural, política, simbólica. Ela, muito mais que investigadora, uma mulher cujas palavras comuns nos transmitem a profundidade das coisas simples, do que somos como pessoas que importam para reinterpretar um novo mundo. Esperança...sempre!

O MUSEU, para o Museu, pelo museu, através do museu...para todos.


"EM: ¿Podrías explicarnos brevemente tu trabajo en el ámbito de la gestión cultural?

CP: Me interesa comprender por qué los museos responden a una práctica cultural y de qué forma construyen y descartan maneras de entender la memoria, ya sea desde una postura conservacionista, como recurso económico, postcrítica, etc. Me interesa también destacar diferentes líneas y tendencias que marcan las políticas organizativas de exposiciones para subrayar como el supuesto carácter neutro y desinteresado de las mismas ya es en sí una forma de comprender la museología.

EM: ¿Cómo te planteaste y cómo llegaste a trabajar en este sector?

CP: Me interesé por los estudios de museos cuando terminé la carrera de historia del arte. Me había inscrito en una clase de museología que ofrecía el departamento de historia del arte de la UAB (Universitat Autònoma de Barcelona)y me había interesado más por lo que no decía la asignatura que por lo que contaba. Me refiero a la educación y los discursos museísticos que creaba la institución y su contexto. Completé mi formación en los Estados Unidos con una beca de “la Caixa” y trabajé en varios departamentos de educación de diferentes museos de Estados Unidos (no solo de arte). Completé mi doctorado en la UB (Universitat de Barcelona). A lo largo de estos años me he dado cuenta de la necesidad de deconstruir por qué los museos se consideran educativos cuando no se hace un análisis en profundidad sobre qué significan sus prácticas.

EM: ¿Cuál es tu background formativo y cómo te ha ayudado tu formación a alcanzar la posición que ocupas y a desarrollar los proyectos que realizas?

CP: Me ha ayudado el hecho de trabajar y colaborar en muchos museos y departamentos de educación con narraciones diferentes: la historia local catalana, la historia americana, el arte formalista, el mar desde una perspectiva moderna, el arte contemporáneo, la vida social. Me ha ayudado ser educadora de sala, coordinadora de programas, investigadora y docente. También el hecho de formarme en el extranjero y mi doctorado. Hacer investigación es muy importante para cuestionar aquello que das por sentado.

EM: ¿Cómo ves el futuro profesional del sector? ¿Qué posibilidades tienen las personas que quieran incorporarse en los próximos años? ¿Qué condiciones deberían tener estas personas?

CP: Me preocupa el futuro profesional del sector porque no consolida equipos, sino que se basa en una política de sub-contratación que no ayuda a que las partes más débiles se consoliden. Las posibilidades que tienen los nuevos profesionales es crear sus propios proyectos y construir propuestas alternativas a las de las instituciones oficiales. Creo que se necesitan más profesionales en nuestras instituciones, pero también creo que se puede incidir en el contexto museístico desde fuera y desplazando su trabajo a otros lugares vinculados con el lifelong learning.

EM: ¿Cómo te planteas tus clases en el Máster en Cultura Histórica y Comunicación? ¿Qué objetivos intentas transmitir a los estudiantes?

CP: Me planteo las clases como una conversación con los estudiantes. Me interesa que los estudiantes construyan y sean conscientes de su propio proceso de aprendizaje. No planteo una educación transmisora, sino que parto de una perspectiva construccionista donde los alumnos/as también tienen sus visiones y nociones. Esta forma de trabajar es un poco complicada puesto que, a menudo los estudiantes, siguiendo una noción tradicional de la educación, esperan que la profesora sea “la luz que guía la clase”. En mis clases necesito que los estudiantes lean los textos, preparen las actividades del día y, sobretodo, que cuestionen todo lo que leen, escuchan, conectan, observan, etc. Creo que es muy importante fomentar una cultura de la inquietud, una trabajo cooperativo y reflexivo.

EM: ¿Qué opinión te merecen los estudiantes que has tenido hasta ahora? ¿Cuáles crees que son sus puntos débiles y sus puntos fuertes?

CP: Muchos de los estudiantes que recibimos provienen de una formación donde la clase magistral y la distancia con el profesor, con los cuerpos y con el conocimiento ha sido la base de su aprendizaje. Es por ello que, a veces es difícil que comprendan que en las clases se desaprende y se des-estructura esta forma de trabajar a partir de situar a la profesora como una aprendiz más."

escuta com teus olhos



...vê com teus ouvidos...

terça-feira, março 06, 2007

Rocha de Sousa





A realidade transforma-se
a cada instante
no uso que fazemos dela,
ou ela de si mesma.
Mas no confronto das coisas visíveis
com a sua metamorfose expressiva,
diferença e semelhança acabam
misturando-se no nosso próprio imaginário.
Aquilo que os artistas nos dão a ver é parte
do que eles próprios vêem e do que se encontra
para além do visível, formas expressivas outras -- e o sonho.
e do que está para além do visível, formas expressivas outras.

Dívida externa europeia

Dívida externa européia

DISCURSO DO EMBAIXADOR

Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro
Cuatemoc, de descendência indígena, defendendo o
pagamento da dívida externa do seu país, o México,
embasbacou os principais chefes de Estado da
Comunidade Européia. A conferência dos chefes de
Estado da União Européia, Mercosul e Caribe, em Maio
de 2002 em Madrid, viveu um momento revelador e
surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram
perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e
de exatidão histórica que lhes fez Guaicaípuro
Cuatemoc.

Eis o discurso:

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a
América há 40 mil anos, para encontrar os que a
"descobriram" só há 500 anos. O irmão europeu da
aduana me pediu um papel escrito, um visto, para
poder descobrir os que me descobriram. O irmão
financista europeu me pede o pagamento - ao meu
país- ,com juros, de uma dívida contraída por Judas,
a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão
europeu me explica que toda dívida se paga com
juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres
humanos e países inteiros sem pedir-lhes
consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e
juros.

Consta no "Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais"
que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a
São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16
milhões de quilos de prata provenientes da América.

Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria
pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo
mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me
Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim,
matam e negam o sangue do irmão.

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos
caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo
Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do
capitalismo e a atual civilização européia se devem
à inundação de metais preciosos tirados das
Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de
quilos de prata foram o primeiro de tantos
empréstimos amigáveis da América destinados ao
desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria
presumir a existência de crimes de guerra, o que
daria direito a exigir não apenas a devolução, mas
indemnização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do
que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para
garantir a reconstrução da Europa arruinada por
suas deploráveis guerras contra os muçulmanos,
criadores da álgebra, da poligamia, e de outras
conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo,
podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso
racional responsável ou pelo menos produtivo desses
fundos?

Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas
batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em
terceiros reichs e várias formas de extermínio
mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes,
depois de uma moratória de 500 anos, tanto de
amortizar o capital e seus juros quanto
independerem das rendas líquidas, das
matérias-primas e da energia barata que lhes
exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton
Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada
jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes,
para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos
juros que, tão generosamente, temos demorado todos
estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos
que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos
europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20%
e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus
cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais
preciosos, acrescida de um módico juro de 10%,
acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com
200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a
fórmula européia de juros compostos, informamos aos
descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de
ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as
cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer
um número para cuja expressão total será necessário
expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata...quanto pesariam se
calculados em sangue?

Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu
gerar riquezas suficientes para esses módicos juros,
seria como admitir seu absoluto fracasso
financeiro e a demência e irracionalidade dos
conceitos capitalistas.

Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a
nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura
de uma carta de intenções que enquadre os povos
devedores do Velho Continente e que os obriguem a
cumpri-la, sob pena de uma privatização ou
conversão da Europa, de forma que lhes permitam
entregar suas terras, como primeira prestação de
dívida histórica..."

Quando terminou seu discurso diante dos chefes de
Estado da Comunidade Européia, o Cacique
Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo
uma tese de Direito Internacional para determinar a
Verdadeira Dívida Externa.
Agora resta que algum Governo Latino-Americano tenha
a dignidade e coragem suficiente para impor seus
direitos perante os Tribunais Internacionais.
Os europeus teriam que pagar por toda a espoliação
que aplicaram aos povos que aqui habitavam, com
juros civilizados.

Publicado no Jornal do Comércio - Recife/PE.

Dia 8 de Março - Dia da Mulher

PORQUÊ O DIA 8 DE MARÇO

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo.

O QUE SE PRETENDE COM A CELEBRAÇÃO DESTE DIA


Pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.

MARCOS DE UM PERCURSO
NO MUNDO


1691 -Estados Unidos As mulheres votam no Estado do Massachussetts. Perdem este direito em 1789.

1788 - França Condorcet, filósofo e homem político francês, reclama para as mulheres o direito à educação, à participação na vida política e ao acesso ao emprego.

1792 - Reino UnidoMary Wollstpnecraft pioneira da acção feminista, publica uma vindicta das Mulheres.

1840 - Estados Unidos Lucrécia Mott lança as bases de Equal Rights Association pedindo a igualdade de direitos para as mulheres e para os negros.

1857 - Estados Unidos No dia 8 de Março, em Nova Iorque, greve das opcrárias têxteis para obter a igualdade de salários e a redução das horas dc trabalho, para 10 horas por dia.

1859 - Rússia Aparecimento de um movimento feminino em St. Pctersburgo para a emancipação da mulher.

1862 - Suécia As mulheres votam nas eleições municipais.

1865 - Alemanha Louise Otto funda a Associação Geral das Mulheres AIemãs.

1866 - Reino Unido John Stuart MIII, filósofo e economista inglês, reclama o direito de voto para as mulheres.

1868 - Reino Unido Criação da Sociedade Nacional para o Sufrágio Feminino.

1869 - Estados Unidos Nascimento da Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres. O estado dc Wyoming concede o direito de voto às mulheres para atingir o número de eleitores necessário para entrar na União.

1870 - França e Suécia As mulheres têm acesso aos estudos médicos. - Turquia Inauguração de urna Escola Normal destinada a formar professoras para as escolas prirnárias e secundárias para raparigas.

1874 - Japão Abertura da primeira Escola Normal para raparigas.

1878 - Rússia Abertura da primeira Universidade feminina em St. Petersburgo.

1882 -. Estados Unidos Susan B. Anthony funda o Conselho Nacional de Mulheres, tendo como patrono Victor Hugo; o célebre escritor era então um dos chefes do Partido Republicano.

1893 - Nova Zelândia Concedido o direito de voto às mulheres.

1901.- França O deputado socialista René Viviani, sustenta pela primeira vez um debate sobre o direito de voto das mulheres.

EM PORTUGAL: 1822 - Primeira Constituição Liberal. Tanto esta Constituição como as seguintes afirmam. que a lei é igual para todos, sem referência especial às mulheres.


Mulheres

Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando acreditam que existe melhor solução.
Elas andam sem novos sapatos para suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.

Pablo Neruda

SÓ MULHER - Dia Internacional da Mulher



sexta-feira, fevereiro 23, 2007

tomai lá do O'Neill




Pretextos para fugir do Real

"A uma luz perigosa como a água
De sonho e assalto
Subindo ao teu corpo real
Recordo-te
E ás a mesma
Ternura quase impossível
De suportar

Por isso fecho os olhos

(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da
provocação. É assim que te faço arder triunfalmente onde
e quando quero. Basta-me fechar os olhos)

Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta
Como um corpo decifrado de mulher

E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços

Experimento um grito
Contra o silêncio

Entro e saio
De mãos pálidas nos bolsos

Assobio às pequenas esperanças
Que vêm lamber-me os dedos

Perco-me no teu retrato
Horas seguidas

E ao trote do ciúme deito contas
Deito contas à vida."

"tomai lá do O'Neill - uma antologia"

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Plantage

Plantage*
(clic)
Um filme extraordináriamente bem feito em 3D
de Amanita Design e com música de Bjork.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

domingo, fevereiro 18, 2007

“Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam”.
Antoine de Saint-Exupéry

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Isto Assim - de Pedro Paixão


Ilustração de
Luis Prina


(texto sugerido pela Ana do 11º AVB - Revista Umbigo Dez. 2006, pp. 44 e 45)

Almada Negreiros


Revista "Umbigo" (Dez. 2006, pp.34)

...às vezes parece que alguém nos quer dizer alguma coisa...






“Olhos de águia”


“Quando acossado o animal ainda morde, ataca,
mas ela sempre só conseguia fugir…
era essa a plenitude da sua coragem,
memória de tempos alados…
Antes de se tornar

cadela.

Desistiu, por amor a um cão,

de ter asas.
Era tempo de criar ninhada
E só o amor tem esse poder.

Esse perder.

Na fuga, chegou por fim a um penhasco de serra.
Dois abismos,
Uma opção.

Ainda pensou no voo da única cria
Tinha a certeza que lhe tinha herdado o poder, o segredo das asas
mas saberia usá-lo?

A dúvida reteve-a noite e dia

e noite.

Mais noite que dia.
Até que ouviu a proximidade

do silvar das balas
Perseguidoras por despeito.

A transmutação trouxe-lhe o aguçar dos sentidos
Do olfacto

Tirou o aroma à aragem do vento e
Lançou-se.

A meio caminho ainda sentiu a presença, no dorso, das asas perdidas
Efeito de sugestão.

Era uma epifania,
ilusão criada pela própria vertigem da queda.

O chão chegou.
Implacável
Com a força da gravidade.

Ainda sorriu com o sabor do sangue quente na boca.

Tinha escolhido o abismo certo.

O outro estava cheio de encruzilhadas, armadilhas dos sentidos, sentimentos de culpa, obrigações, dúvidas, traições, imposições…
Iria tropeçar em mil obstáculos antes do fim.

Quem um dia teve asas
Não há melhor morte
Não há melhor sorte
Que o voo derradeiro no vazio.

Um bater de asas passou-lhe próximo do rosto
antes de se lançar em voo picado
Em direcção ao céu.

A cria
Sabia voar...

Nasceram-lhe então asas de luz
Deixou para traz os restos do animal desfeito.

Onde chegou
Só desejou uma coisa
(nunca tinha ambicionado muito):

Que lhe fossem dados
Olhos de águia.

Podia assim vigiar o sono e o voo da cria
Para sempre.
Aquele sempre que é tempo suficiente.
Só até aquele dia em que se pudessem juntar.
E ambas
Partir,
de novo,
para um outro céu.”

A.M.


domingo, fevereiro 11, 2007

PS chumba propostas para subsídio de desemprego aos docentes do superior 08.02.2007 - 19h08 Lusa

O PS chumbou hoje os projectos de lei do PCP, do Bloco de Esquerda e do CDS-PP para a atribuição do direito ao subsídio de desemprego aos docentes e investigadores do ensino superior, apesar dos votos favoráveis de toda a oposição.
Na discussão dos projectos em plenário, ontem, a oposição parlamentar foi unânime na acusação ao Governo de querer adiar o acesso dos docentes do ensino superior ao subsídio de desemprego para poupar dinheiro, evitando abranger os que este ano lectivo ficarão sem trabalho.O PS justificou o chumbo dos três projectos com a garantia de que o Governo vai apresentar até final de 2007 uma proposta no mesmo sentido, abrangendo os docentes e todos os trabalhadores da administração pública nas mesmas condições.Os partidos da oposição acusaram que o adiamento tem apenas como finalidade deixar de fora os milhares de professores do ensino superior que dizem vir a ser despedidos ainda este ano lectivo.

Público

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Susan Sontag








¨Nós vivemos numa cultura em que a inteligência é defendida como instrumento de repressão e autoridade, quando a única inteligência válida é crítica, dialética, cética e não-simplificadora¨
Susan Sontag

terça-feira, fevereiro 06, 2007

MUDAR


"...ao falar, eu desvendo a situação por meu próprio projecto de mudá-la; desvendo-a a mim mesmo e aos outros, para mudá-la; atinjo-a em pleno coração, trespasso-a e fixo-a sob todos os olhares; passo a dispor dela; a cada palavra que digo, engajo-me um pouco mais no mundo e, ao mesmo tempo, passo a emergir dele um pouco mais, já que o ultrapasso na direcção do porvir. Assim, o prosador é um homem que escolheu determinado modo de acção secundária, que se poderia chamar de acção por desvendamento. É legítimo, pois, propor-lhe esta segunda questão: que aspecto do mundo você quer desvendar, que mudanças quer trazer ao mundo por esse desvendamento? O escritor engajado sabe que a palavra é acção: sabe que desvendar é mudar e que não se pode desvendar senão tencionando mudar”.


(SARTRE, 1993: 20)

"Ó Gente Da Minha Terra"




Mariza
Amália Rodrigues



É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi

terça-feira, janeiro 30, 2007

blog em continuação

partincerta

Por motivos que não entendi este blog esteve "congelado" durante uns tempos. Por esse motivo re-iniciei no partincerta, fiquei assim, por obra do acaso, com dois caminhos...

Graça Martins

zephira

http://zephira.blogs.sapo.pt/

sítios onde nos sentimos bem.

Tatuagens

Tatuagens

segunda-feira, janeiro 29, 2007

não sei porquê...

Quase um poema de amor


Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.

Miguel Torga

sexta-feira, janeiro 26, 2007

quinta-feira, janeiro 25, 2007

terça-feira, janeiro 23, 2007

The Gift




"Fácil De Entender

Fácil de Entender
Talvez por não saber falar de cor, Imaginei
Talvez por saber o que não será melhor, Aproximei
Meu corpo é o teu corpo o desejo entregue a nós
Sei lá eu o que queres dizer, Despedir-me de ti
Adeus um dia voltarei a ser feliz
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei, o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender

Talvez por não saber falar de cor, Imaginei
Triste é o virar de costas, o último adeus
Sabe Deus o que quero dizer
Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou,
e se ao menos tudo fosse igual a ti

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
É o amor, que chega ao fim, um final assim,
assim é mais fácil de entender

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se fala-se era fácil de entender"

Aborto

Boaventura Sousa Santos: as contas do aborto
Em causa no referendo à despenalização do aborto devem estar os direitos e a dignidade das mulheres e o valor de uma maternidade responsável, e não considerações de ordem financeira. Não é aceitável que se reduza uma importante questão de saúde pública e de direitos a uma cifra, e muito menos que cálculos tão tendenciosos quanto errados acabem por ser usados como argumento.

In Visão 18 de Janeiro

e...

O "gato fedorento" vai estar hoje no lançamento oficial do panfleto do Movimento Jovens pelo Sim. Ricardo Araújo Pereira assume a sua posição favorável à despenalização do aborto e apela a todos os jovens para a mudança de uma lei que oferece a prisão às mulheres. A apresentação é feita às 15h, em Lisboa, na sede do Movimento Jovens Pelo Sim (Largo da Trindade nº17).

Alvaro Lapa

JL
Por Rocha de Sousa


A arte para não enlouquecer

Álvaro Lapa, um nome decisivo na arte portuguesa contemporânea, aparentemente reservado, que se exprime, pela pintura e pela escrita, à margem dos vastos campos de mediatização, dos palcos públicos, da ostentação do êxito, recebeu em 2004 o Grande Prémio edp e tem agora exposta, nos Pavilhões do Museu da Cidade de Lisboa, uma importante antologia de várias períodos da sua obra. Por vezes há decisões tardias ou tendenciosas nestes domínios e o caso de Álvaro Lapa é disso simbolicamente trágico: apesar de Moisés não haver acedido à montanha, como diz o povo, o certo, e ao contrário da frase simbólica, a verdade é que também a montanha não foi ter com Moisés, e assim, no vazio dos actos, o artista de que se fala aqui acabou por falecer entretanto, em 2006, quando ainda decorriam os trabalhos de preparação da presente exposição e do excelente catálogo, no qual se abordam pinturas ditas «paisagísticas», «obras-com-palavras», e um volume dedicado a preciosos textos do autor. É preciso visitar a exposição com a consciência deste «atraso», sentindo o cuidado posto no arranjo dos pavilhões, sobretudo o Branco, e atravessando os jardins que pacificam a morte e revestem de silêncio os túmulos provisórios que acomodam, conferindo-lhes visibilidade, os restos antológicos do autor consubstanciado na convocação física da sua obra, presença enfim cuidada com dimensão e respeito, entre janelas de grandes vidros e pavões, lá fora, em deriva pela relva pujante.

Impressões de uma visita.

Enquanto me aproximava do Pavilhão Branco, fotografando fragmentos antigos de molduras em cantaria e um leão deitado nas folhas de plantas que vivem rente ao chão, pensava que este era o lugar próprio, poeticamente legítimo, para revisitar e homenagear o pintor e poeta das impressões lusitanas. Entrei para um mundo luminoso e iluminado, onde a série «paisagística» se articulava nos largos espaços do pavilhão. Cada peça bem destacada à escala humana, suportando assim a acentuada altura das paredes alvíssimas, era levemente aquecida pelo tipo de projectores envolventes.Revendo a intrigante pintura que Lapa intitulou «Homem sem esforço, sem propósito, sem utilidade» (1968) recomecei a travessia do artista no espaço do absurdo e a sua necessidade tanto de questionar cada opção como de afirmar o que há mesmo para afirmar, contra todos os silenciamentos. «Em que consiste imaginar? Como é possível a imagem, enquanto determinação geral de um conteúdo concreto do imaginar: como é viável equacionar a liberdade com o aleatório de qualquer materialidade conteudística? Quais as relações entre a sobredita liberdade – o próprio ser da obra, sua dedução temporal – e a sua representação sistemática, e o seu inventário histórico?»

Ao se pensar em percursos reflexivos tão densos como este, Lapa já entrara num labirinto terminal, sem esforço, sem propósito, percebendo a inutilidade das significações do devir. Contra os iludidos do naturalismo, ele dizia para que recalcassem toda a esperança, «os incómodos da percepção» na improvável realização do que somos e das coisas que nos apresentam, os objectos diferentes do que se vê neles, invenção dos percursos que simulam a dolorosa emigração para lugares longínquos. Escrevendo sobre a própria escrita da pintura, evocando Bosch ou o «nosso» Gil Vicente, abordando a sua obra O Tentador, deixou redigido que, em termos de linguagem, a dele era mais contemporânea daquelas formas, e mais responsável, pelo acontecimento dos símbolos – «que nunca serão figuráveis uma vez por todas se da pintura (apenas) se dispõe.»1

Fecho o livro destes vocábulos de súbito paralíticos e passeio um pouco ao lado das obras que se intitulam (aleatoriamente?) «Passeio». E as obras que ostentam esse título, as mais longas, recortadas por formas escuras, entre restos gestálticos de prados, de céus, sombras perto, parecem formular bosques de uma nossa qualquer errância, sem propósito, sem utilidade. Entre muitas outras hipóteses formais, que opacificam estranhas imagens, observo, caso a caso, as propostas ditas «Campéstico», o primeiro de 1983-1984 (I).

A minha liberdade é quase total: paisagísticas, as contingentes imagens deixam-me frequentemente em lugares insignificantes onde já me senti, no Alentejo, nas anharas de Angola, nas velhas ancoragens de máquinas agrícolas de outrora.No Pavilhão Preto, a boa ordenação das peças cuja génese está no número ou na letra e na palavra, a maior parte das pinturas reflecte manipulações digitais dos respectivos códigos, saindo do quadro para tecidos esticados e já em forma de frases. Como: «O sono e a morte serão equiparados. O homem aprenderá a morrer».Mundo literário inquietanteSe o único problema filosófico se limita ao suicídio, como anuncia Camus na abertura do famoso «Sísifo», também será verdade que o homem, despojado de toda a consciência estética e funcional, estará confrontado com a loucura. A actividade plástica constitui, nas clínicas psiquiátricas, a mais surpreendente manifestação do humano ao desejar saber-se, isto é, sobreviver.É em parte por isso que Álvaro Lapa indaga tanto o não sentido das coisas e a ressurreição dele através da arte. «É na verdade um dos enigmas da arte e um sinal do poder da sua logicidade, que todo o rigor lógico radical, até aquele que se chama absurdo, tem como resultado algo que se assemelha a um sentido. Mas isso não é tanto a confirmação da sua substancialidade metafísica que se apodere de toda a obra completamente elaborada, quanto a confirmação do seu carácter de aparência pelo facto de que não pode escapar à sugestão de um sentido no seio do absurdo.»2Em «Atitudes litorais» (1984) o artista escreve: «Quando se interroga didacticamente uma tradição omite-se o presente se o houver e é talvez por isso que a dimensão didáctica da pintura se tornou invariavelmente abstracta. Ou seja linguística, verbal e verbosa como em qualquer aula ocidental dualista». Esta questão é relevante e trouxe para o domínio do pensamento plástico um vocabulário que não lhe pertence. São os poderes culturais contemporâneos que se introduzem nesta área específica. «A tirania é a do significante temporário onde toda a assimilação é interdita». «A linguagem que descreve o corpo afectado é quando muito designativa e, se se quiser expressiva, incorporar-se-á na obra, no procedimento da obra, significar-se-á (e não significará). Nós não sabemos o que a pintura, a arte em geral, significam, sequer como sentido oculto. Podemos a esse respeito contar histórias, ou deixar contar»3 Álvaro Lapa, apesar da sua erudição em campos como o da estética e da escrita, aproxima-se muitas vezes do primeiro buraco negro que encontra e tem a lucidez, por instantes, de que a impossibilidade de significar não lhe deixa grandes alternativas. «Uma teoria é uma prudência com que não me identifico».Será em parte por isso que nos deixa imprudências como esta:«O que simboliza a arte senão a alegria e a tragédia?/ Quem não considera compreende a arte sem distância./ O não-ser corresponde à imaginação que trabalha e ao animal./ Emociona-me a palavra lenda como sentido do que faço./ Narcisismo do indivíduo ou da Natureza tanto faz./ Entre a elite e a claque a escolha impõe-se./ Trabalhamos em ultrapassar os nossos limites ou trabalhamos em amar» 4


Notas: (1) Percorrendo os meandros da questionação de Álvaro Lapa, em textos agora publicados. (2) Do texto para a sua própria exposição de 1977, na Galeria Nacional de Arte Moderna. (3) Da conferência proferida no âmbito da exposição «Artes Litorais». Faculdade de Letras de Letras de Lisboa, 1984. (4) Do «Comentário», texto para a sua exposição de 1985.ÁLVARO LAPA. Museu da Cidade ao Campo Grande. Horário: de terça a domingo: 10h às 18h, até 28 de Janeiro

segunda-feira, janeiro 22, 2007

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Os sapatos

Conto do dia:


Os sapatos (Gonçalo M. Tavares)

"O senhor Valéry andava pela rua com um sapato preto
no pé direito e um sapato branco no pé esquerdo.
Um dia disseram-lhe:

-Trocou os sapatos.

E riram-se.
O senhor Valéry olhou, então, para os pés, e batendo
na cabeça, exclamou:

-Que disparete!

Voltou a casa, trocou de sapatos, e regressou à rua,
mais tarde, com um sapato preto no pé esquerdo e um sapato
branco no pé direito.
Quando lhe disseram, cada vez mais divertidos,
Trocou de novo os sapatos!, o senhor Valéry enervou-se.

Porém, recordando os princípios da lógica que havia
aprendida, fincou os dentes, e para si próprio, enquanto
continuava o seu passeio, exclamou:

-Não. Agora têm de estar certos.

O senhor Valéry explicava, a si próprio:
-Parece um paradoxo, mas é mesmo assim: se estão
trocados, é necessário trocá-los de novo para ficarem direitos.

E desenhou:




E depois desenhou:





- Uma destas duas situações tem que estar certa para
a outra estar errada, já que são inversas. E se dizem que as duas estão erradas é porque as duas estão certas.

O senhor Valéry, após esta conclusão, nunca mais se preocupou com o facto de trazer o sapato preto no pé direito ou no pé esquerdo. Está sempre certo, pensava.


("O Senhor Valéry" - Prémio Branquinho da Fonseca - Expresso/Gulbenkian - Gonçalo M. Tavares)

Viagens no tempo - AGUALUSA



"Pública" 14 Janeiro 2007


...o tempo, ao segundo, de Agualusa...

...se me conseguir ver nesse "espelho mágico" quero ver-me com a cara lambuzada de beijos de caramelo e chocolate.
Aí, saberei rir-me com olhos de água colorida com as 7 cores que a LUZ misteriosamente faz aparecer. Terei 7 dias para pensar nisso e, depois, 7 dias a esquecer, porque a vida está sempre lá à frente...mas essa já não será a minha. No meu "espelho mágico" imagino ser feliz agora e aqui. Não fosse esse pormenor insignificante e insípido de fazer todos os dias cem anos.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

“Um rio é a infância da água

Ruy Belo (1933-1978) "Todos os Poemas"

quarta-feira, janeiro 10, 2007

EYE CONTACT



da revista COMMUNICATION que a Filipa Ramos me emprestou hoje.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Mensagem




Mensagem de Pernando Pessoa

Ilustrações de Pedro Sousa Vieira
Prefácio de Richard Zenith

Oficina do Livro

"BELLUM SINE BELLO"

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Os Gatos e a Cidade

"Os gatos e a cidade"

de Jorge Salgado Simões


"Queres uma cidade nova? Queres uma cidade viva? Podes tê-la em qualquer lugar. Podes escolher morar onde quiseres: num centro cujo prazo de viabilidade há muito expirou; numa qualquer nova centralidade ditada por um qualquer equipamento ou supermercado; ou na periferia, junto ao campo, naquela nesga de ruralidade que subsiste na envolvente da cidade. Mas tudo é cidade.

A cidade do centro, a que cai, é a que mais me preocupa. É aquela que escolhi para viver porque desdenho todas as outras. E porque gosto de sofrer, é óbvio que gosto. Não pode haver outra explicação. É tudo mais caro e eu não tenho dinheiro. Demora tudo mais tempo, do qual eu não abro mão. O espaço é mais condicionado, a vista não é simpática, a vizinhança é simpática mas característica, as ruas estão sujas, não têm calçada, nem alcatrão, mas apenas uma mistura das duas que não é coisa nenhuma, a iluminação vai falhando, o lixo vai-se acumulando e os ratos tenho-os como vizinhos.

Onde há ratos há gatos, e eu gosto de gatos. Os gatos circulam livremente por telhados e logradouros. Se calhar é por isso que eu gosto desta cidade, seja ela em Torres Novas, em Coimbra ou no Porto. Saber que os gatos aparecem, que podemos contar com eles para um olhar cúmplice ou um afago sentido. Os gatos não gostam da cidade nova. Acham-na demasiado estéril, como se isso fosse possível. Mas tem de facto pouco cheiro, pouca cor, poucos motivos de interesse.

A minha cidade tem de dizer qualquer coisa. Olhando para uma parede usada ou para o perfil de uma rua estreita, temos de poder ver uma história, uma imagem passada há tento tempo, uma aventura, uma qualquer banalidade, ou o quer que seja.

Dizem agora que não. Que o prazo de viabilidade dos centros históricos das cidades portuguesas foi ultrapassado. Mas quem é que ditou esse prazo? Serão os mesmos que os condenaram no passado? Os mesmos que contribuíram para esta singularidade portuguesa de estarem as periferias urbanas mais sujeitas à pressão imobiliária, contrariando a velhinha teoria dos lugares centrais? Não se enganem. Esta cidade pode ser velha e nova ao mesmo tempo. Deixem-na renovar-se.

Definam-se os perímetros e criem regras facilitadoras das intervenções. Atribua-se unidade ao espaço definido: uma tipologia de calçada, de iluminação, de sinalização, de equipamento urbano. Só isto ajudará para que mais pessoas circulem a pé pelas ruas, para que haja maior identificação colectiva com o centro e uma valorização do espaço.

A cidade são as pessoas a andar nas ruas. Tem de ser agradável andar nas ruas. Limpem as ruínas, obriguem os proprietários a vender, promovam a sua posse administrativa, expropriem, façam obras coercivas, apresentem a conta, façam o que quiserem, mas arranquem esta cidade das mãos alimentadas por um Estado que se habituou a alimentar este estado de coisas.

Libertem-se edifícios para equipamentos, lojas, galerias, experiências empresariais, cultura, actividades cívicas, habitação social, habitação com preços controlados, habitação de luxo ou só habitação. Seja para o que for, libertem, valorizem e usem-na.

A periferia não resistirá se o centro não viver. A cidade nunca será cidade, se não funcionar com todos os seus órgãos. Não crescerá. Pode engordar, inchar e aumentar. E ainda assim, não crescerá.

Ela não é da minha responsabilidade. Nem tua, nem do outro, nem do proprietário ou do inquilino. Ela não é responsabilidade da Junta, da Câmara ou do Estado. Ela é responsabilidade do Estado, da Câmara e da Junta. Do inquilino, do proprietário, do outro, tua e minha. Lamúrias, pesares ou considerações avulsas.

Podia continuar, mas já não vale a pena. Queres uma cidade nova? Queres uma cidade viva? Tens a certeza de que ainda a queres?"
Astor Piazzolla - Libertango
Nouvelle Vague - Love will tear us apart (LIVE)